<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569</id><updated>2011-12-01T13:51:00.019Z</updated><title type='text'>Baú do Silêncio</title><subtitle type='html'>Este baú contém memórias</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-116801693626150750</id><published>2007-01-05T16:58:00.000Z</published><updated>2007-01-27T23:39:26.803Z</updated><title type='text'>Fecho do Blog</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5880/1138/1600/349523/arco_iris%20sorriso.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5880/1138/320/800602/arco_iris%20sorriso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já é hora de dar voltas aos cadeados, com as chaves do meu coração, fechando o primeiro Baú. Está cheio de memórias, não cabem mais. Aqui ficam as recordações escritas desde Maio de 2005 até Dezembro de 2006, ficando agora adormecidas e só voltarão a despertar pelo beijo de olhares de quem as quiser reler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde já, o meu obrigado, com uma grandiosidade igualando a infinidade de estrelas e um sorriso com o tamanho de um arco-íris reluzente, a todos os visitantes! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-116801693626150750?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116801693626150750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116801693626150750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2007/01/fecho-do-blog.html' title='Fecho do Blog'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-116739713886830324</id><published>2006-12-29T12:52:00.000Z</published><updated>2007-01-01T17:17:41.756Z</updated><title type='text'>Surdas Profundas e Oralistas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5880/1138/1600/923391/DSCF0233.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5880/1138/320/293517/DSCF0233.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"  &gt; foto by&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; SilenceBox&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As vagas do mar erguem-se assombrosas, tecendo teias de espuma iradas, sob o olhar negro e diabólico do céu e, em seguida, caem numa queda vertiginosa contra a superfície marítima causando um impacto explosivo. Sou então expelida violentamente, em cambalhotas, para o fundo do mar, sendo o meu corpo sacudido pelas pancadas ensurdecedoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vontade de ferro, que há dentro de mim, impulsiona-me a nadar, persistentemente, usando todos os esforços possíveis, para emergir. Ar puro, tão vívido e fresco, envolve-me! Cuspo a água salgada engolida acidentalmente e respiro profundamente.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Relâmpagos rebentam e gritam. São vozes injustas e ácidas, ensopadas de malvadez e ignorância! “&lt;em&gt;Como é possível escreveres tão bem se és surda profunda?&lt;/em&gt;”; “&lt;em&gt;Tu não podes ser surda profunda pois falas oralmente, deves ser surda moderada!&lt;/em&gt;”; “&lt;em&gt;Tu licenciada? Só deves ter feito exames especiais!&lt;/em&gt;”; “&lt;em&gt;Como és surda profunda, a tua língua materna deve ser Língua Gestual!&lt;/em&gt;”… Fios de vozes, parecendo intermináveis, enrolam-me dolorosamente. Ainda para dar ênfase a este tormento, como fez o Adamastor destruindo caravelas heróicas dos Descobrimentos, atiram ondas eléctricas provocando um caos desumano ao oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incho de fúria e de indignação até ao limite, dando braçadas e gritando:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Parem de me atormentar! O próprio Deus sabe que escrevo bem. Tenho relatórios que comprovam o grau profundo da minha surdez! Segui o Ensino Normal com sucesso, fiz testes e exames idênticos aos ouvintes e, inclusive, exames nacionais para a admissão Universitária! A minha língua materna é a Língua Portuguesa! Estão entendidos, relâmpagos?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resposta, o mar ronca ironicamente - &lt;em&gt;Não pode ser! Não é possível!&lt;/em&gt; - , ruge gargalhando ondas! Mais uma vez, sou atirada para o fundo abismal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Neste preciso momento, em que as luzes tempestivas iluminam a escuridão, detecto uma silhueta esguia a furar o mar, formando uma coluna atrás de si. Dirige-se na minha direcção. Uma mão delicada e grande estende-me, agarro-a e sinto um forte puxão que me conduz para o exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente um jacto de água sai da minha boca, tusso para poder respirar. Pestanejo várias vezes para dispersar a névoa que cobria a minha visão. Aos poucos, em câmara lenta, surge um rosto feminino, emoldurado pelos cabelos castanhos, compridos e lisos, com um par de olhos castanhos cintilantes. Que pupilas tão intensas e profundas! Sei imediatamente o que vê e como escuta. Toco na sua bochecha rosada com a minha mão direita, invade-me logo uma sensação protectora e cândida. Sinto, sob os meus dedos, a dimensão do seu Ser, a riqueza do seu Eu, a sua Existência completa… Está dito, visto e inteiramente compreendido. O nosso silêncio comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu… também?! - Interrogo oralmente. Uma pergunta curta mas carregada de significado que diz tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas da sua mente abrem-se, par a par, e o seu interior faz-me voar como Peter Pan. Visualizo estrelas mágicas que são palavras silenciosas da sua Essência, um círculo de ilhas férteis que são momentos por que enfrentou e sentiu, o rio de Vida transparente e enriquecido que saiu ileso de obstáculos. Após uma viagem em telepatia, aterro-me na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pronuncia, aquiescendo, oralmente:&lt;br /&gt;- Sim, eu também…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma surda profunda como eu! O mesmo código, a mesma comunicação. Uma oralista como eu! Até a educação e a integração são semelhantes. Possui uma cultura tão vasta e rica quanto a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz e a força entrelaçam-nos fortemente e juntas rodopiamos até ficarmos suspensas em cima do mar. A agitação da maré começa então a serenar e o Sol, com o seu sopro quente, varre as crueldades da tempestade. Uma brisa sussurrante e reconfortante afaga os nossos rostos molhados e aquece os nossos corações. Acreditamos uma na outra. Somos a mais pura veracidade, somos surdas profundas e oralistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como reflexo da magia do nosso encontro, o arco-íris pincela sobre o painel azulado do céu com as suas aguarelas coloridas: nós existimos. E assim fica gravado. Milhares de gaivotas grasnam aos ventos, levando a nossa mensagem mútua: nós devemos ser respeitadas e os nossos direitos também reconhecidos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-116739713886830324?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/116739713886830324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=116739713886830324' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116739713886830324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116739713886830324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/12/surdas-profundas-e-oralistas.html' title='Surdas Profundas e Oralistas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-116395389429951813</id><published>2006-11-19T16:19:00.000Z</published><updated>2006-11-22T15:39:25.566Z</updated><title type='text'>A Chave da Comunicação</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/arte_digital.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/arte_digital.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;foto retirada&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-WEIGHT: bold" href="http://www.webshots.com/collections/digitalart/digitalart_p2.html"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Continuação do post &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-WEIGHT: bold" href="http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/07/o-primeiro-vesturio-dos-ouvidos.html"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"O primeiro vestuário dos ouvidos"&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os meus pais e eu, com um ano de idade e poucos meses, ainda estávamos na cidade londrina.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Apesar de estarem um pouco esperançados com os meus primeiros aparelhos, das novas emoções que sentiram quando dei os primeiros passos, das surpresas que tiveram com as minhas reacções face aos novos ruídos, o choque ainda estava bem patente neles, encravado na pele como uma sujidade que seria preciso raspar e retirar com uma esponja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não era tudo. Eu continuava a ser surda e seria-o para sempre. Ainda era um imenso fardo para as suas preocupações:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt; O que vamos fazer com a nossa menina? Como vamos comunicar com ela? Como podemos transmitir-lhe todas as informações? &lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt; interrogava o meu pai, sempre controlado, com uma mão, enorme e peluda, a pressionar o seu queixo careca, enquanto a minha mãe me fitava com um coração deveras despedaçado e culpado, pegando na minha mãozinha encolhida em bola, como querendo salvar-me do abismo silencioso ou dar-me as cores da Vida, dizendo a si própria “&lt;i&gt;como vou contar à minha bebezinha as histórias de embalar na hora de deitar? Que faço?? É tão viva, tão perspicaz, como os olhitos observam tudo querendo aprender…”&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os meus pais ainda se sentiam perdidos. Era como se estivessem no deserto. Encontravam-se rodeados de dunas silenciosas e ameaçadoras que libertavam um calor sufocante. As perguntas, que bombardeavam os seus espíritos, eram poeiras de areia erguidas pelo vento e tornavam tudo menos nítido. As dúvidas atrozes e a ausência de respostas ressequiam a sua garganta. O meu futuro parecia consistir num vazio, um beco sem saída… O horizonte do deserto mostrava ser uma circunferência, uma linha circular fechada e uniforme. Estavam no centro do nada. Que rumo deveriam seguir? Leste? Oeste? Norte? Sul? Todas direcções acabavam ali no meio do deserto. De repente, o sol falou... Era a voz do médico Otorrino, a dizer que havia um oásis algures no deserto, um bom centro de orientação para os pais, que lhes dariam todas as informações e apoio. Fortalecidos então por novas esperanças, continuaram a andar até que… avistaram um oásis!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O oásis ficava numa sala de apoio à reabilitação auditiva de bebés no Hospital de Londres, onde uma enfermeira pedagoga lhes deu muita água. Ficaram aliviados e saciados de respostas. Afinal, havia um caminho possível… Havia uma porta de comunicação que me transbordaria ao mundo deles e crescer com devidos conhecimentos da Vida. A salvadora deu-lhes livros, onde estavam registadas as pistas para encontrar uma chave de comunicação e abrir aquela porta…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com imensa luta e persistência, acima de tudo Amor, encontraram a bendita chave e a porta foi aberta. E assim, os meus pais e eu, minúscula ao colo entre dois, seguimos pelo novo caminho que se avistava risonho e iluminado...&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;(As emoções dos pais aqui relatadas são frutos da minha imaginação. Na verdade, os meus pais não encontram palavras para transcrever estes momentos bastantes fortes, só os dois sabem o que sentiram. Eu apenas tentei compreendê-los, observando as fotos tiradas em Londres e “escutando” os resumos vagos e soltos dos progenitores.)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-116395389429951813?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/116395389429951813/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=116395389429951813' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116395389429951813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116395389429951813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/11/chave-da-comunicao.html' title='A Chave da Comunicação'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-116250929620375254</id><published>2006-11-02T23:10:00.000Z</published><updated>2006-11-04T23:01:49.383Z</updated><title type='text'>As Maravilhas do Xadrez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/xadrez.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/xadrez.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"  &gt;foto retirada &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.1000imagens.com/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;O céu sorria azulado e limpo para aquele dia. No campo de férias, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;anunciava-se o 4º dia de Torneio de Damas, Xadrez e Dominó.&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Os jovens vagueavam numa estreita categoria etária dos 12 aos 14 anos. Aqueles que chegaram às meias-finais, andavam ansiosos, levemente sonhadores, com o desejo traçado no reflexo dos seus olhos: “vou ser vencedor”. O meu coração, o único surdo do campo de férias, andava com uma ansiedade ensurdecedor pela próxima jogada das peças de Xadrez. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Já tinha vencido três rapazes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O último jogo foi belo e emocionante. O adversário tinha o dobro da minha altura e era dois anos mais velho que eu. Quando começámos o jogo, ele mostrou a sua força surpreendente. Apanhou todos os meus pequenos peões. Continuou a capturar: um cavalo, mais outro… A sua masmorra ia-se enchendo de prisioneiros, dos mais pequenos aos médios, enquanto a minha se encontrava quase oca. Descortinei logo o seu plano: tendia limpar todas as peças que defendiam o meu Rei para o pôr indefeso. Também reparei que andava à toa como um touro tresloucado a perseguir atrás da manta vermelha. Atacava o que aparecia à frente. Isto permitiu-me elaborar uma nova estratégia. O seu Rei encontrava-se posicionado perigosamente num canto do tabuleiro, tendo apenas duas saídas para escapar. Os seus defensores estavam longe e ocupados a guerrear os meus soldados. Vedei então uma saída do Monarca oposto, colocando o meu guerreiro – o digno príncipe - a uma distância considerável e semi-oculta. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O adversário acompanhou este movimento, mas ignorando o seu objectivo. Tinha outra prioridade: a minha Torre. Caçou-a. E, a seguir, deslizei a mais poderosa e altiva de todas as peças – a Dama. Todo o meu corpo bombardeava atordoado de vitória… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Ganhei!!!”, gritei para dentro de mim. O rosto do opositor ficou lívido, todo o sangue fora sugado. Arqueou-se respirando com dificuldades... O seu Rei estava encurralado! Sacudiu a cabeça, repetidas vezes, tentando dissimular esta visão traiçoeira. No entanto, a verdade sanguinária “Xeque-mate!” não desaparecia dali. Estava mesmo vencido, acabado. Suspirou febrilmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Quando me levantei, o meu monitor Z.P. pegou-me e elevou-me ao ar. O seu olhar verde brilhou de estrelas. Exclamou que este jogador era dos bons. Os meus colegas de equipa também congratularam-me com o mesmo sentimento empapado de cumplicidade e camaradagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Quando cheguei à sala de torneios, os materiais de Xadrez, Damas e Dominó já estavam distribuídos nas mesas. Quem seria o adversário seguinte? Tão perigoso quanto os três anteriores? Fui ao painel, onde estava afixado o mapa dos participantes, para ver quem era. O meu queixo descaiu de incredulidade…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Uma rapariga de estatura média, de olhos verdes e cabelos castanhos lisos que chegavam até aos ombros, sentou-se à minha frente. Antes de iniciarmos a jogada, estudei a sua fisionomia, cada traço do seu rosto, cada estímulo das suas reacções. Esta observação corporal é indispensável para antecipar as suas intenções de ataque no decorrer do jogo. “Está segura e firme. Deve jogar bem…”, retorqui em silêncio para os meus botões. Face a esta conclusão, os meus nervos entraram em alerta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Começámos. Uma peça, outra peça. Ataques e defesas semelhantes. Afinal, era uma adversária extremamente difícil, tripliquei o meu esforço mental, criando umas novas técnicas de avanço e de luta. O meu cérebro latejava a cada minuto perante obstáculos e ataques imprevistos. A rapariga também percebeu que eu era exigente e concentrou-se mais. O jogo foi assim ficando cada vez mais complicado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;No momento em que estávamos quase no fim do jogo, a empatarmos, alguns jovens e monitores, apercebendo da complexidade do jogo, instalaram-se nas cadeiras, um a um, perto da nossa mesa, fazendo de público. Este monte de vultos, em constante movimento como uma brisa, desconcentrou-me, fez com que não reparasse numa peça traiçoeira e…perdi!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Foi um jogo e tanto, que durou uma hora! Doía-me a cabeça de tanto pensar, de dar as voltas aos meus neurónios. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                        &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O Z.P. veio ter comigo, com um ar de quem já estava à espera de que eu iria perder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Então?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Perdi! Distraí-me, não vi uma peça! – queria acusar o “público”, da sua invasão incómoda, porém contive-me.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Mas jogaste muito bem. Sabes porque?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Porquê? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Porque a N. já joga o Xadrez em campeonatos nacionais e internacionais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Uauu…- fiquei muda durante uns segundos, assimilando cada palavra que lera nos lábios do Z.P. - Então, era por isto que o jogo foi muito difícil!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- E tu estiveste quase a empatá-la! Estás a ver? Jogaste muito bem! Parabéns! – o Z.P. deu-me um forte e incentivo abraço.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;(Assim ficou a recordação, perpetuada nas minhas memórias até hoje. O meu pai ensinou-me as maravilhas do Xadrez quando eu tinha 9 anos. Fiquei imensamente cativada pelas peças, pelo mistério e elegância que delas surtiam. O jogo dava-me o poder de raciocinar, lutar e defender. No ano anterior deste episódio, ganhei uma medalha de 2ºlugar.)&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-116250929620375254?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/116250929620375254/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=116250929620375254' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116250929620375254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116250929620375254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/11/as-maravilhas-do-xadrez.html' title='As Maravilhas do Xadrez'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-116109994723794152</id><published>2006-10-17T16:34:00.000+01:00</published><updated>2006-11-05T23:52:04.700Z</updated><title type='text'>Dia X e Dia Y</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/foto15.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/foto15.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:78%;" &gt;foto retirada &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.1000imagens.com/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;b face="trebuchet ms"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dia X&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;(Com 14 anos de idade)&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;Entrei apressada na papelaria, transpirando e arfando por causa da corrida, com um enorme maço de papelada a pesar-me por debaixo do braço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Aproximei-me da fotocopiadora e entreguei os apontamentos à funcionária que já me conhecia desde criança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;- Boa tarde! 5 cópias de cada folha, por favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Uma desconhecida aproximou-se de mim. Intrigada, virei-me e olhei-a de frente. Neste preciso momento, os seus lábios afloraram-se:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;- Desculpe, a menina é italiana?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Esta interrogação lançou-me uma baforada de vento que me abanou toda. “Eu, italiana?! Que ironia…”, pensei. Os tentáculos pretos da complexidade, que se encontravam adormecidos, completamente enrolados, num sítio oco e interior do meu corpo, desentorpeceram-se pelo barulho inconveniente deste pensamento. Meios desnorteados, agitaram-se ferozmente e despejaram-me a tinta negra de vergonha: “Não vais dizer que és surda! Diz que sim!”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;- Sim… - escapou-se-me uma afirmação sussurrada e bastante quebradiça…&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;A senhora, em vez de se afastar de mim, tornou-se mais amável e pôs-se a tagarelar devagar:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;- Itália é um país lindo! Já fui… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Fiquei imóvel, de olhos arregalados, escutando com a minha visão cada palavra que se formava na sua boca, sentindo deslumbrada como se estivesse a ser hipnotizada por uma voz apaziguadora. Os pormenores mágicos, os monumentos grandiosos e únicos de Itália. A senhora era uma verdadeira apaixonada por este País.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- A menina é de onde?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;De repente, a fantasia foi-se violentamente e despertou-me para a terrível e atormentada realidade. “E agora? Terei que dizer a verdade à senhora?”, perguntei em silêncio aos meus fantasmas que continuavam a brandir os seus tentáculos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Felizmente, a funcionária salvou-me a tempo, entregando-me as fotocópias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Foi um prazer falar com a senhora mas, desculpe, tenho que ir! Estou atrasada! Boa tarde!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ofereci-lhe um sorriso visivelmente grato, por este tempo curto mas bem precioso. E voei pela porta fora, com o coração endoidecido e embebido de remorsos.&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;br /&gt;Dia Y&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;(Actualidade)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Sob as nuvens carregadas de cinzento, assobiando uma ameaça de provocar uma chuva torrencial a qualquer momento, caminhei em passos lentos e descontraídos. Passei por um grupo de pessoas. Duas mães acompanhadas de duas filhas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Uma destas senhoras veio na minha direcção, retirando uns folhetos dentro da pasta negra que levava na mão. A pequenita, segurando a saia da mãe, observava o procedimento desta, quieta com uma inocência estampada no rosto e de respiração suspensa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A mãe começou a atirar-me correntes de sons, a uma velocidade alucinante, que me deixou sem jeito e atordoada. Quando já estava quase no fim da explicação oral, é que consegui soltar a minha voz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Desculpe… Sou surda! Fale devagar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Perante a minha veracidade, já amadurecida pelos anos passados, liberta de complexos e orgulhosamente firme, a mãe ficou empalidecida e apatetada, engoliu a fala aos trapalhões e começou a fazer mímicas. Apenas a apontar aos folhetos e nada mais. Entregou-mos, pegou a mão da filha e foram-se embora.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-116109994723794152?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/116109994723794152/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=116109994723794152' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116109994723794152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116109994723794152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/10/dia-x-e-dia-y.html' title='Dia X e Dia Y'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-116000085554179289</id><published>2006-10-04T23:22:00.000+01:00</published><updated>2006-10-04T23:27:35.596+01:00</updated><title type='text'>A Letra O</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/carla%20Maio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/carla%20Maio.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;font-size:78%;" &gt;Foto by &lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=540"&gt;Carla Maio&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="genmed"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;br /&gt;O é de ódio,&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;br /&gt;Regado pela água da ignorância populaça&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;br /&gt;E alimentado pelo vento de discriminação,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;Cresce como uma erva daninha. &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;br /&gt;Nos seus limites, explode em fúria e escorre de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;Só o Amor o elimina com o seu sopro quente.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-116000085554179289?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/116000085554179289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=116000085554179289' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116000085554179289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/116000085554179289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/10/letra-o.html' title='A Letra O'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-115946390709121604</id><published>2006-09-28T18:14:00.000+01:00</published><updated>2006-09-28T23:58:57.083+01:00</updated><title type='text'>A Esperança</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/palmeira_sol.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/palmeira_sol.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:78%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Foto by SilenceBox&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Esperança é como o Sol.&lt;br /&gt;De vez em quando, ilumina o nosso interior com os seus raios reconfortantes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-115946390709121604?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/115946390709121604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=115946390709121604' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/115946390709121604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/115946390709121604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/09/esperana.html' title='A Esperança'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-115504781398586871</id><published>2006-08-08T15:27:00.000+01:00</published><updated>2006-11-05T23:54:13.916Z</updated><title type='text'>O Primeiro Voo Literário</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/palavras.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/palavras.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;foto retirada &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.1000imagens.com/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;Abri, ansiosa, um dos livros da colecção “Os Cinco”, cujo título não me recordo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Estava pronta para viajar pelo mundo imaginário, voando sobre o tapete de letras, com um dicionário, um papel A4 e um lápis afiado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Pus-me a engolir, a saliva quase não escorregava, de tão ressequida e inchada estava a minha garganta. Será que vou conseguir? O martelar curioso e incentivo dos meus 12 anos dizia que sim, que esse dia era propício para o meu início à leitura.&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Comecei a ler devagarinho sob um silêncio palpitante. Uma palavra. Mais outra. Tantas novas! Desconhecidas, no entanto, belas com a sua aura de mistério! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Aos meus olhos, o livro parecia uma mãe grávida de bebés linguísticos. E, um dicionário, um guarda-roupa de significados para estes bebés.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Um bebé “Infelizmente”. Eu sabia qual era o termo de “infeliz”. Mas, juntando com “-mente”, já a frase distorcia-se, perdendo todo o seu sentido. Este bebé linguístico foi então retirado da página e colocado no berçário que era o papel A4. Fui ao dicionário buscar o seu vestuário e… não havia! A nudez do “infelizmente” fez-me doer e não resisti a pedir explicações à minha irmã.&lt;br /&gt;— Mana, o que quer dizer “Infelizmente”?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;— Quer dizer… por exemplo…— ela demorava a pensar, a arranjar um bom exemplo: — Infelizmente, não vamos à praia porque está a chover. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;— Sim. Eu entendo a frase, mas ainda não percebo “infelizmente”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;— Isto quer dizer, queremos muito ir à praia mas não podemos. Dizemos “infelizmente” quando queremos muito uma coisa e acontece o contrário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;— Já percebi!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Aquela frase com “infelizmente” provocou de imediato uma luz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Outro bebé: “desvendar”. Mais um berço a preencher no berçário fininho e branco. E logo vestia o recém-nascido: “descobrir”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;Em cada minuto, saltava do livro para dicionário, depois para o papel e de volta ao livro. Apesar destas incontáveis interrupções, aterrei bem ao lado dos famosos &lt;i&gt;Cinco&lt;/i&gt; para partilhar aventuras. Ora ria-me, ora assustava-me, entre outras e novas emoções. Tornei-me fã da Zé e do seu cão Tim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O primeiro livro foi uma montanha escarpada, o segundo passou a ser um planalto e, finalmente, os últimos passaram a ser terrenos planos com os conceitos linguísticos já bastantes maduros e conhecidos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-115504781398586871?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/115504781398586871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=115504781398586871' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/115504781398586871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/115504781398586871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/08/o-primeiro-voo-literrio.html' title='O Primeiro Voo Literário'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-115446939948004572</id><published>2006-08-01T22:51:00.000+01:00</published><updated>2006-08-01T23:04:30.043+01:00</updated><title type='text'>A Comédia das Palavras Sósias…</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/Judith%20Tomaz.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/Judith%20Tomaz.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;center  style="font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto by &lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=1300"&gt;Judith Tomaz&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O calor escorre sobre as paredes brancas, tornando-as pesadas. As correntes ondulantes e silenciosas vindas de uma ventoinha e os cortinados corridos não conseguem arrefecer o ambiente da Sala.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A minha irmã e eu estamos sentadas na mesa rectangular, a almoçar, com a roupa irremediavelmente colada ao corpo, iluminadas apenas pelos reflexos coloridos da televisão acesa. À nossa frente, está uma taça fresca a transbordar de esparguete e camarão. A seu lado ergue-se uma garrafa de sidra bem gelada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Perante este quadro alimentar refrescante, a minha irmã lembra-se de uma nova novidade. Como uma criança pequena, que acaba de fazer uma descoberta fabulosa, anuncia-me agitada atropelando as palavras:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Ontem, fiz sumo de melancia!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Ai, sim? Estive quase para trazer o “Supremacia” mas, como pensei que já é antigo e já devias ter visto, não trouxe. – Respondi totalmente convicta da leitura que fizera dos lábios dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O rosto da minha irmã contorceu-se, desenhando traços confusos, como se tivesse acabado de ver uma anomalia: bolas de neve a caírem num dia de calor sem nuvens… Expulsa, então, da sua boca, interrogações de incompreensão: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- O quê? Estás a falar de quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Então? Ontem, viste o “Supremacia”, não foi?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Supremacia?! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Sim, o filme!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Não! Fiz SUMO DE MELANCIA! – voltou a repetir, pausadamente, separando palavra a palavra, abrindo muito a boca e, desta vez, li tudo nitidamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Tinha percebido mal… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Caímos em risotas, achando ridícula a nossa conversa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;(A minha irmã engolira a palavra “de”, juntara “sumo” com “melancia”, pronunciado numa só palavra “SumoMelancia”, e assim parecera-me “Supremacia”. São as chamadas “palavras sósias” que me enganam com bastante frequência.)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-115446939948004572?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/115446939948004572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=115446939948004572' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/115446939948004572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/115446939948004572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/08/comdia-das-palavras-ssias.html' title='A Comédia das Palavras Sósias…'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114926285680659193</id><published>2006-06-02T16:39:00.000+01:00</published><updated>2006-06-02T16:44:42.873+01:00</updated><title type='text'>Era uma vez uma Gaivota…</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/pordosol10.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/pordosol10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;center&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Foto by R.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;À minha frente, o rio corria apressado em direcção à boca do mar que o engolia. As bolhas espumosas saltavam, espalhando um cheiro agradável, uma fragrância adocicada e salgada. Por detrás, erguiam-se majestosas as montanhas, enormes e cobertas de árvores, derramando o seu verde fulgurante sobre o azul do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento dançava ao acaso. Vinha dali ou vinha de outro lado, parecendo festejar o encontro entre a água salobra e a água marítima.&lt;br /&gt;Tudo exalava purificação. Oferecia-me um bem-estar interior, a sensação de estar deitada em cima de um arco-íris. Depois de contemplar este ambiente, pus-me a beber rios de palavras de um livro, com um sorriso sereno estampado no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito, no meu lado direito, um estranho vulto aterrou sobre a areia fina e acastanhada. Senti-o pelo canto do olho. O seu movimento invulgar e insistente perturbou a minha leitura e fez-me levantar os olhos até atingi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma gaivota! Encontrava-se tão próxima, a menos de 2 metros. Até se conseguiam ver os pormenores das penas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei imóvel, não me atrevendo a mexer um único músculo, observando-a deslumbrada. Era tão branca como a cor de algodão, tinha uma postura digna de uma ave independente. A natureza esculpiu-a com perfeição! Deixei-me ficar assim, em transe, durante um tempo, gravando docemente aquela imagem, até que me sobressaltei com o toque de um dedo sobre o meu braço esquerdo, como se tivesse sido tocada ao de leve pela queda de uma minúscula pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei-me lentamente para não assustar a gaivota. Os meus olhos encontraram com os da minha amiga. Não foram precisas palavras. Também ela estava encantada com esta magnífica visitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou. Tínhamos agora de nos mexer, de respirar com o ruído, uma vez que já nos começávamos a sentir paralisadas de a fitar tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus-me a sussurrar à minha amiga:&lt;br /&gt;- Esta gaivota é tão corajosa para estar ao pé de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela assentiu ao meu comentário. Voltámos a olhá-la. A gaivota estava a observar-nos alerta mas não se esquivou ao mínimo som da minha voz. Fiquei espantada, arqueando o meu sobrolho grosso, quase o meu queixo tocava o meu pescoço de tão caído estava! R. também se apercebeu do estranho comportamento. A ave não tinha aspecto adoentado. Não coxeava. As asas estavam em excelentes condições, fortemente lisas e correctamente arrumadas nos seus sítios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começámos a pensar. Será que…?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lábios de R. estreitaram-se num apertado círculo, soprando dióxido de carbono. Deste modo, apercebi-me de que estava a assobiar. Um bombástico som capaz de atemorizar qualquer animal. Fiquei suspensa, quase encolhida, um pouco receosa ante a perspectiva de a assustar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gaivota continuou ali como se nada fosse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para aqueles olhos pretos. Tão pequeninos, mas bem abertos. Ávidos e perspicazes. Foi então que reparei que havia algo diferente nela. Mexia excessivamente a cabeça, para um lado e para o outro, e também para trás, repetidas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei alto, completamente exaltada, com esta inesperada descoberta:&lt;br /&gt;- A gaivota é surda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazia ali sozinha? Encontrava-se distante de uma multidão de gaivotas que sobrevoava freneticamente, fazendo piruetas, por cima da Foz. Estava excluída da comunidade. Abandonada ou ignorada, sem outra gaivota para companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante esta verdade, o meu interior jorrou em gotas de água. As lágrimas silenciosas de dor. A gaivota era um reflexo de mim própria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Esta gaivota era jovem, sabia-o pela cor do seu bico, era preto. Passou quase um ano desde que a encontrei. Será que agora é uma esplêndida gaivota? Será que já encontrou companhia? Como gostava de saber…)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114926285680659193?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114926285680659193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114926285680659193' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114926285680659193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114926285680659193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/06/era-uma-vez-uma-gaivota.html' title='Era uma vez uma Gaivota…'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114350014730140378</id><published>2006-03-27T23:53:00.000+01:00</published><updated>2006-10-04T23:02:55.580+01:00</updated><title type='text'>Os sumos da Vida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/1.4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/1.3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;font-size:78%;" &gt;Foto by &lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=180"&gt;Elsa Mota Gomes&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:trebuchet ms;" &gt;Crueldade, Hipocrisia, Falsidade e Ignorância, de mãos dadas num círculo fechado, transformam-se numa laranja. O seu sumo é tão amargo que solta violentamente as nossas lágrimas de dor, que nos arranha com as suas agulhas ácidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um sumo mais doce que anula esta amargura… É o sumo do Amor e da Amizade misturado. O seu sabor não iguala com todos os sabores, é apenas único. É um líquido doce e quente que canta amor, ternura e protecção. Só o paladar do coração é que o saboreia e reconhece o seu fluxo. Este suco, apenas uma gota dele, faz colorir tudo, provoca o voo das flores, desenha um arco-íris de borboletas, cria os perfumes adocicados, pinta a natureza de cores mágicas, soa a risos de cócegas musicais, causa vertigens de alegria e cheira sobretudo a Vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, o sumo do Amor e da Amizade é raro e disperso, é como encontrar uma poça de água no deserto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114350014730140378?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114350014730140378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114350014730140378' title='56 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114350014730140378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114350014730140378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/03/os-sumos-da-vida.html' title='Os sumos da Vida'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>56</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114268224132335817</id><published>2006-03-18T11:34:00.000Z</published><updated>2006-03-18T11:46:20.400Z</updated><title type='text'>Histórias que acabam mal e bem: “Mais tarde vais ler!”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/200/2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;      &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A porta do quarto da minha irmã está entreaberta. Espreito para o interior e encontro-a deitada acima da cama, confortavelmente encostada às almofadas, com as suas longas pernas dobradas em duas montanhas para fazerem de suporte ao livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Reparo em algo de estranho nos olhos dela. Estão vidrados. Observam para lá da realidade, para outro mundo que eu não vejo. Estão distantes como se estivesse a flutuar. De repente, as gotas de água deslizam pelo seu rosto… Pisco os meus olhos, bastante confusa. Sim, está a chorar. O ar enche-se de tristeza, mas sinto que não é dolorosa. Não é uma tristeza que grita dor. É diferente. Cada músculo da sua pele treme de emoção, cada pêlo se eleva arrepiado. O longo suspiro sai por entre os dentes, tal como quando um balão é furado por uma agulha e sai um fio de ar. A emoção não coube dentro de si…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As interrogações chovem em granizo inundando a minha cabeça de criança. O que é que tem o livro? É sobre o quê? Porque é que chora assim? E porque é que o lê se é tão triste?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;               &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando fecha este livro, com uma suavidade excepcional, como se este livro fosse um tesouro seu, entro de rompante. Ela sobressalta-se e limpa logo as lágrimas, notoriamente embaraçada e surpreendida. O meu olhar, em forma de anzol, pesca imediatamente a capa e leio o que está escrito: “A Princesinha”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- C., porque é que estás a chorar? Acaba mal? É triste? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Após ponderar, durante poucos segundos, responde-me:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Acaba mal e acaba bem. É uma linda história…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fico ainda mais confusa. Como é que uma história pode ter dois fins? E como é que uma história tão triste pode ser bonita? A minha lógica era que, para as pessoas ficarem contentes e alegres, deviam ler contos de fada e histórias com fins felizes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                     &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Então, conta-me! Quero saber… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Não te conto! Mais tarde vais ler!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pego no livro, ponho-me a folheá-lo, tentando descobrir o mistério todo que surtia efeito na minha irmã, mas só vejo as páginas traçadas de linhas pretas. As letras parecem ter vida, parecem formigas. As frases dão mão a outras frases formando uma espécie de cortinado linguístico, vendando um outro mundo. Um cortinado tão pesado, que pesa como chumbo e tão complicado para ser aberto!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- É tão difícil… Não percebo nada!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Claro! Agora não percebes porque ainda é cedo. És nova. Só quando fores grande. Vais ver que és capaz!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olho para aqueles olhos castanhos. Brilham como diamantes. Lê-se a verdade desenhada no seu fundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Vou conseguir? Não sei… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Vais ver…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sorri para mim, aquele sorriso orgulhoso e seguro, que o meu coração apanha e abraça. Guardá-la para dentro de si e ali fica guardado eternamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Tinha 8 anos e ela 12 anos. Foi C. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;que me influenciou, que me levou a amar os livros. Ela sabia que eu ia conseguir. Li “A Princesinha” aos 14 anos e as minhas lágrimas também se derramaram. É, de facto, uma bela história! Acaba mal e acaba bem...)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114268224132335817?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114268224132335817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114268224132335817' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114268224132335817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114268224132335817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/03/histrias-que-acabam-mal-e-bem-mais.html' title='Histórias que acabam mal e bem: “Mais tarde vais ler!”'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114227970223534042</id><published>2006-03-13T19:23:00.000Z</published><updated>2006-08-08T15:25:38.170+01:00</updated><title type='text'>As Algemas da Corrente</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto by &lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=457&amp;t=3#portfolio"&gt;Jorge Cascais&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms;" align="left"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;&lt;br /&gt;Levei algum tempo para decidir se devia ou não participar numa corrente de bloguistas porque não sabia se era uma brincadeira ou se era um jogo de verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este alguém, presumo do sexo feminino, &lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://teacher.weblog.com.pt/arquivo/2006/02/cinco_manias_pe.html"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;teacher = simple past&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt; , lembrou-se de mim e arriscou-se a lançar-me as algemas da corrente. No entanto, não me agarraram bem. Caíram imediatamente sobre o solo oco do esquecimento e ali ficaram abertas e abandonadas. Um dia, numa visita aos blogs da Leonoretta e Maheve, toquei nas algemas acidentalmente e, num ápice, como uma cobra num ataque imprevisto, elas fecharam-se nas raízes da minha mente! Fizeram com que me revisse a mim própria e assim visualizei as minhas cinco manias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estão:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms;" align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;&lt;strong&gt;1. Fazer festinhas, cheirar e conversar com os meus queridos e estimadíssimos livros.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(Necessito de os ver em todos os lados e todos os dias!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;2. Dormir na escuridão sendo apenas iluminada pela luz azulada e fantasmagórica de um pequeno fantasma do Ikea que está na mesa-de-cabeceira.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Gostaria de saber se existe mais alguém, a partir dos 30 anos, que dorme com este objecto luminoso…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;3. Usar diminutivos excessivamente: “É tão queridinho…”; “Olha só que coisinha fofa!”; “Que olhinhos tão meigos!”; “É um amorzinho!”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Não é o que pensam. Digo tudo isto ao meu animal de estimação, de quatro patas e que ladra como uma minúscula fera!)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Beber café a escaldar, de excelente qualidade, com um rico sabor e bastante espumoso.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Sou uma especialista na escolha de um bom café!)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Deixar espalhado no chão do meu carro: livros de trabalho, folhetos de publicidade, papéis de rascunho, sacos de plástico, etc.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Que vergonha…!)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms;" align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Já cumprida a missão, as algemas desapertaram-me suavemente e pediram-me para que as passasse para as Cinco bloguistas. Andei vacilante na decisão a quem devia passá-las…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://os5sentidos.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Memorex&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://meninamarota.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Menina-Marota&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://blauerstern.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;myanmar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://tijolices.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Tijolices&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://pordosolbyagirl.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;T.X.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt; têm a dignidade de aceitar estas algemas e participarem no mesmo jogo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;&lt;em style="font-family: trebuchet ms;"&gt;[Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114227970223534042?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114227970223534042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114227970223534042' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114227970223534042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114227970223534042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/03/as-algemas-da-corrente.html' title='As Algemas da Corrente'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114167554561521283</id><published>2006-03-06T19:57:00.000Z</published><updated>2006-03-06T20:05:45.656Z</updated><title type='text'>O perigo à espreita…</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/30.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/30.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#cccccc;"&gt;Mal entrei na sala de laboratório, o quadro já estava rabiscado de instruções para a realização de uma experiência química.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, antes do início experimental, a professora tagarelou pedagogicamente durante uns 10 minutos. Eu não acompanhei esta introdução oral pelo facto de não entender os seus lábios, visto que falava à velocidade de um filme a rodar 4 vezes mais rápido que o normal. Para mim, bastava o que estava escrito. Era como seguir as instruções para montar um vídeo. Fazer isto e depois aquilo. Além disto, eu já sabia o nome de todos os materiais, conhecia quase todas as substâncias químicas e era já experiente nos cálculos. Não tinha dúvidas nem dificuldades. Portanto, de que servia aquelas curtas e pré-explicações? Mas as minhas colegas escutaram atentas, amontoadas em pé num apertado círculo como os pinguins se juntam contra as tempestades de gelo para não perderem calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o silêncio chegou e começaram a dispersar-se cada uma indo para o seu lugar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#cccccc;"&gt;Era um trabalho individual. Iríamos trabalhar com o ácido. Já estávamos informadas de que era uma substância bastante perigosa, que corroía tudo como se tivesse dentes aguçados e invisíveis.&lt;br /&gt;                                  &lt;br /&gt;Os nossos objectos indispensáveis, como papel, lápis e máquina de calcular, foram logo explorados para nos darem as respostas quantitativas de que precisávamos para a experiência. Fiz os cálculos pretendidos com uma perícia apaixonante. Era como se estivesse a jogar um puzzle. As peças eram as contas em que tinha de as encaixar umas com as outras. Tudo estava relacionado. O mais emocionante disto tudo era quando o último resultado completava o puzzle! Era uma sensação de triunfo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha que preparar uma solução ácida. Eu estava confiante nas minhas capacidades e achei que não precisava de espiar as outras para as imitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estava um frasco acastanhado, contendo o ácido, à minha espera. Segundo as contas feitas, tinha que retirar um pouco de líquido terrorífico deste frasco para o balão de vidro e posteriormente, acrescentar a água destilada até atingir a uma proporção desejada, formando assim uma solução aquosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num instante, em que já tinha deitado o ácido para o balão, a professora que por acaso ali passeava a observar os nossos trabalhos, estacou atrás de mim. Empurrou-me bruscamente, deixando-me incrédula. Pegou no balão e correu até ao lavatório mais próximo, com o rosto assombrosamente lívido. Abriu a torneira com uma aflição sufocante, como se a própria torneira estivesse em fogo e queimasse os seus dedos, e colocou a barriga do balão para debaixo da torrente de água fria. Afastou-se esticada, continuando a segurar pela extremidade superior do balão para o rodar a 360º, e fechou os olhos à espera que algo pusesse acontecer… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali fiquei feita num espantalho a ser abanado ao vento, com o coração descompassado aos saltos, tentado assimilar o acontecimento. As colegas olhavam para mim, quase levando as mãos às bocas para não desatarem a gritar. Estes olhares picaram-me, fazendo-me quase desmaiar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de grave sucedeu. O balão refrescado pela água fria foi finalmente pousado na mesa. São e salvo. Completamente inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A professora, já recuperada pelo susto, explicou-me falando devagar, com os lábios ao nível dos meus olhos que, a muito custo, conseguiram ler:&lt;br /&gt;- Desculpa… Por pouco, o balão podia ter quebrado! Eu avisei no início da aula mas esqueci-me de que não ouvias… Avisei todos alunos que deviam deitar um pouco de água destilada para o balão e só depois o ácido. A culpa foi minha… devia ter escrito no quadro. Não volta a acontecer… Já passou…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Era frequente os professores esquecerem a presença de uma aluna surda nas suas aulas. Não estavam habituados. Eu era a primeira e única surda nesta escola.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114167554561521283?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114167554561521283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114167554561521283' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114167554561521283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114167554561521283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/03/o-perigo-espreita.html' title='O perigo à espreita…'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114039306123509079</id><published>2006-02-19T23:44:00.000Z</published><updated>2006-02-19T23:51:01.260Z</updated><title type='text'>A Floresta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/trees1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/trees1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Acabei sair de uma poça de lama, onde caí tropeçando num obstáculo. A água peganhenta, com um cheiro húmido de terra, escorre-me da cabeça aos pés. Ajoelho-me, sem forças, muda de exaustão. Nesta posição, ergo o meu olhar para o fundo à minha frente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                                             &lt;p style="color: rgb(204, 204, 204);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ali está a floresta, continuando persistente e indiferente. As árvores altas, com as suas copas densas, estão juntas umas com as outras, com os seus ramos entrelaçados como se estivessem de mãos dadas. Os meus olhos semicerram atordoados…&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Preciso entrar para dentro da floresta mas os galhos das árvores ignorantes e arrogantes, bloqueiam-me e arranham-me! Julgam-se superiores e donos da Terra, em que não toleram diferenças. Foi por eles que tropecei, enquanto combatia, e caí na poça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="color: rgb(204, 204, 204);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;As folhas estão a sussurrar umas com as outras. O que estão a conversar? Não sei. Falam &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;st1:personname productid="em simult￢neo. Fazer"&gt;&lt;span style=""&gt;em simultâneo.  Fazer&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt; leitura labial às suas bocas, que articulam ao mesmo tempo, é me impossível. Pelo brilho delas a murmurarem, a sibilar ou a ondular, vejo que estão a discutir um tema interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Perante este quadro, os meus sentimentos entram num turbilhão ensurdecedor, batem como ondas bravas e varrem-me furiosamente. Transformam-se em foguetes e explodem, gritando silenciosamente dentro de mim em desespero: “Quero fazer parte desta melodia! Quero rir como estão a rir. Quero descontrair-me como se descontraem de tanto prazer nas boas conversas. Quero ficar, horas a fio, a escutar deliciada como escutam maravilhadas…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não tendo outra alternativa e contra a minha vontade, resolvo interromper esta incandescência ruidosa: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Olá! Estou aqui… O que estão a dizer?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ignoram-me… Nem sequer reparam nas minhas gotas a pingar, nas minhas feridas arranhadas pelo corpo todo. Porque, de facto, o tema é bastante interessante e não devem perder uma pitada dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;De repente, pelos cantos dos olhos, reparo que, ao meu lado esquerdo e direito, algumas árvores estão a abanar… Viro-me para olhar melhor o enquadramento intrigante. Estão a rir da minha voz! E outras estão curvadas de horror, com os olhos esbugalhados de espanto, exclamando “Que voz é aquela?”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Até que uma delas, com a sua compaixão, chama-me:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Anda cá… Vou te explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Para a minha consternação, os seus lábios são estranhos e desconhecidos. A sua boca tem a forma da boca de um peixe em que se move sempre igual, quase parecendo que se está a sugar uma chupeta invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- O quê? Desculpa mas não te percebo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A árvore suspira e cala-se, desistindo de conversar comigo, evitando conhecer-me melhor. É uma árvore impaciente! Há muitas impacientes como ela… milhares!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quanto às verdadeiras árvores, que são dignas de serem regadas com a minha água, onde estão? São tão raras…&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114039306123509079?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114039306123509079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114039306123509079' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114039306123509079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114039306123509079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/02/floresta.html' title='A Floresta'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-114004460666645861</id><published>2006-02-15T22:59:00.000Z</published><updated>2006-02-15T23:06:15.520Z</updated><title type='text'>Solidão...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/25.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/400/25.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;A integração é um obstáculo monstruoso. É como subir o pico escarpado da montanha mais alta, ao qual nem sequer um montanhista consegue lá chegar. Estou sempre a escorregar pelas ervas daninhas, a ser picada pelas setas ignorantes, a ser rejeitada pelos falcões soberbos, a ser empurrada pelo vento das conversas alheias…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;É tão difícil ser surda profunda que chego a desejar desesperadamente ser ouvinte!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-114004460666645861?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/114004460666645861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=114004460666645861' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114004460666645861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/114004460666645861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/02/solido.html' title='Solidão...'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113847080251088249</id><published>2006-01-28T17:36:00.000Z</published><updated>2006-01-28T18:22:50.936Z</updated><title type='text'>Meus Dedos em Dança</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/26.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/200/26.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Encontro-me no antigo quarto da minha irmã, agora transformado em escritório, com os meus olhos fixos num canto especial, onde havia um soberbo piano. Este instrumento foi retirado e transportado para outro sítio, bem longe de nós. Com ele levou as nossas alegrias e tristezas, mas ficaram as memórias. Recordo o seu brilho negro que ofuscava qualquer olhar atrevido. Estava sempre disponível para ser tocado, para libertar as suas músicas escondidas, sob um acariciar firme de dedos.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua dimensão era gigantesca face à minha altura de criança. Era um assombro, parecia que, a qualquer momento, ia me devorar como um monstro! Mas o seu mistério içava a minha curiosidade ingénua. Ficava eu a olhar hipnotizada para aquelas barras amarelas e pretas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha mãe, quando tocava, transparecia uma aura de encanto! As suas mãos delgadas e jovens dançavam, com os dedos delirando ao ritmo apaixonante da música, e abanava o corpo com uma elegância e doçura especiais de uma mulher nobre, como as dignas senhoras do século XVIII. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não podia deixar de ser, para satisfazer a minha curiosidade, passei a ter lições de piano com a minha mãe. Foi então que me contou os segredos das barras. Cada tecla libertava um som e cada nota musical tinha um nome. Sol, Mi, Fá, Dó, Si, Ré… O lado direito era mais agudo que o do esquerdo. Quão simples isto era!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuando para trás, aterro-me numa recordação inesquecível de uma mini-festa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aquela menina, com os seus cabelos revoltos de rebeldia, lia os lábios maternos:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;- Querida filhota, queres tocar piano para eles ouvirem? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles eram os convidados. Pessoas adultas. Como eu tinha medo destes estranhos, eram superiores e sérios, mas o meu orgulho falou mais alto. Queria mostrar que sabia tocar piano! Consenti, movendo a cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se reuniram no quarto da minha irmã, segurando os copos esguios com champanhe. Alguns esforçavam-se por sorrir para me dar força. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslizei e sentei-me no banquinho, em frente do piano, ficando de costas voltadas para os presentes. Devagar, levantei a tampa. Sentia como se o meu coração estivesse na garganta, prestes a sair para o exterior! &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal pus os dedos a flutuar por cima das barras, os burburinhos das vozes silenciaram-se. Tudo ficou suspenso e a aguardar pela explosão de ruídos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus dedos, visivelmente trémulos, começaram a dançar, a saltitar de uma tecla para outra. Ora com velocidade, ora com lentidão. Em notas longas ou curtas. Os formigueiros de sons percorriam-me o meu corpo, fazendo com que me embalasse. Por fim, selei a música com um som grave e prolongado até se esfumar o seu eco. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei-me e sorri inocentemente, mas o meu sorriso depressa se desvaneceu perante os espectadores… Estavam especados como estátuas de pedra, mudos e em transe. Detectei gotas de água a brilharem à superfície ocular… De repente, a emoção sentida derramou em palmas que me atingiram, que puseram os meus pêlos em pé. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O meu sorriso duplicou, agradecendo ao piano, ao seu poder mágico por levar as pessoas a sentirem assim!&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204); font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, sei porque é que eles ficaram assim. Não pela música mas por ser eu a tocar. Viram que… “o impossível era possível”.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113847080251088249?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113847080251088249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113847080251088249' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113847080251088249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113847080251088249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/01/meus-dedos-em-dana.html' title='Meus Dedos em Dança'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113732968416642302</id><published>2006-01-15T12:46:00.000Z</published><updated>2006-01-27T17:53:41.373Z</updated><title type='text'>O Feitiço das Cartas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/22.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/22.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;      &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;Encontro-me sozinha, no meu quarto de criança, com a porta trancada e persianas corridas. Estou sentada a fitar as folhas magrinhas, semelhantes a cartas, que estão infantilmente espalhadas sobre a mesa redonda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;Tenho que escrever uma carta para uma pessoa que me é muito querida e que se encontra a mil léguas de mim.  &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;Tudo à minha volta está quieto, não se atreve mexer. Nem sequer uma poeira se levanta. O candeeiro, alto e imponente, verte luz e calor sobre as minhas mãos, ainda pequeninas, pouco desenvolvidas e frágeis, próprias de uma criança com nove anos. A estante, a cama e as paredes observam-me, escutando a minha concentração silenciosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;Começo a conversar com uma folha branca, como aquela que está pousada à minha frente. Uma conversa somente visual. Acarinho as suas linhas, fazem-me suspirar… Como é tão bom senti-las sob os meus dedos! Tão macias. A cor das linhas, de um azul-arroxeado, atrai-me para a escrita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;A minha mão direita segura um lápis altivo e afiado e, febrilmente, começa a escrevinhar os momentos alegres passados. À medida que a minha caligrafia se forma e se passeia pelas linhas horizontais, desabrocha no meu interior cada cor de felicidade, até se completar num arco-íris. A sensação que sinto, a viagem por entre os símbolos do abecedário, é como se estivesse a voar, a sentir magia! Cada palavra faz-me crescer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;             &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;Não deixo as minhas palavras saírem tortas. As vogais têm de ser bem redondas e as consoantes bem delineadas. Têm que ser tratadas como um gato mimado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;Ao fim de uma hora, termino a carta, redigida com muito esforço por me faltarem milhares de vocábulos. Saio do meu quarto com três folhas, preenchidas pela grafite, e corro para mostrá-las à minha mãe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;– Mamã!! Tenho a carta para veres se está bom! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No momento da correcção fico imóvel, ao lado da minha mãe, observando a minha carta a ser transformada em sangue, as minhas frases, principalmente os tempos verbais, a serem riscadas ou alteradas, com um marcador vermelho. Cada rabisco vermelho queima-me, fico até aturdida! De repente, quando estava à espera de mais sangue derramado, cessa… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;– Não há mais erros? – exclamei visivelmente atónita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;– Minha filhota! – reparo o brilho de orgulho no olhar verde, este brilho materno cheio de amor a dizer verdade – A carta está muito boa! Parabéns!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Pego nas folhas doridas, levo-as até ao sítio do meu coração e vou para o quarto aos pulos, cada vez mais feliz com os meus progressos de escrita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Amanhã, escrevo mais!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);"&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt; &lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;(Este é um dos maravilhosos episódios da minha infância. Com esta idade, já escrevia cartas quase todos os dias. Com prazer. Como se a escrita fosse o meu melhor brinquedo! Quando via erros, nunca parava ou desistia. Embora me fizessem doer, aceitava-os para escrever cada vez melhor. Desde muito cedo, aprendi a sua  importância .)&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113732968416642302?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113732968416642302/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113732968416642302' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113732968416642302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113732968416642302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/01/o-feitio-das-cartas.html' title='O Feitiço das Cartas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113685202803672401</id><published>2006-01-09T23:57:00.000Z</published><updated>2006-01-24T23:37:40.000Z</updated><title type='text'>Risos de Oiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/risos%20de%20oiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/risos%20de%20oiro.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;    &lt;div style="text-align: center; color: rgb(204, 204, 204);"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:78%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;Foto by SilenceBox&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;A pele do velho ano 2005 começou a descolar-se, tal como a pele de uma cobra. Os ponteiros do relógio começaram a aproximar-se das doze badaladas em cada segundo que passava&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;O dia 31 de Dezembro maquilhou-se de nuvens, em tons cinzentos e encaracolados, espalhou o perfume campestre e marítimo de Comporta através do sopro do seu ar e pôs-se assim especial para uma tarde de fotografia com um concurso entre amigos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Dividimo-nos em dois grupos: “rapazes” para um lado, “raparigas” para outro e seguimos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Eu, a minha irmã, a I. e a R., partimos todas a rir como crianças felizes. Elas tiveram uma ideia invulgar… Iríamos tirar fotos de palhaçadas. Assim fizemos, em bom gozo, imaginando as caras deles quando as vissem! Focámos e fotografámos cartazes de publicidade, folhetos de distribuição política, o chão, transportes alentejanos, ninhos de cegonhas e arrozais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;A sessão de fotografias terminou com um sorriso alegre e cheio de apetite para um belo lanche!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;           &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Enquanto o céu escurecia, entraram todos para o calor da vivenda alugada. Menos eu. Fiquei cá fora. O meu olhar passeou, ao acaso, num arco horizontal de 180º. Pairava uma serenidade no pôr-do-sol refrescante, as cegonhas voavam, regressando aos ninhos, o burburinho da brisa roçava a minha face, e a máquina de fotografia encontrava-se pendurada, quase esquecida, ao meu peito. O que é que eu estava à procura? De nada. Apenas contemplava e saboreava estes segundos de solidão, em harmonia com a natureza. Foi então que algo me chamou atenção…&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Havia muita luz por cima de mim, olhei para ver o que era… Fiquei deslumbrada! As&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; luzes dos candeeiros pareciam dançar &lt;st1:personname productid="em an￩is. At￩"&gt;em anéis. Até&lt;/st1:personname&gt; tive sensação de ter ouvido risos de oiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;As minhas mãos, impulsionadas pelo sentimento de encanto, ergueram a máquina e alimentaram-na com todos os ângulos deste quadro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(204, 204, 204);" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Esta foto foi seleccionada pela maioria dos participantes e foi a vencedora, surpreendendo-me a mim própria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;(Quero agradecer à minha querida irmã por ter proporcionado este dia jubiloso e divertido que me fez rir –há tanto tempo que não me ria assim-, até as nuvens se embelezaram com a nossa música de gargalhadas! Como me senti leve como algodão!)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113685202803672401?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113685202803672401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113685202803672401' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113685202803672401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113685202803672401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2006/01/risos-de-oiro.html' title='Risos de Oiro'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113543001468001214</id><published>2005-12-24T13:08:00.000Z</published><updated>2005-12-24T21:02:29.256Z</updated><title type='text'>Feliz Natal</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/Natal.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/Natal.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#009900;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#009900;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#009900;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Desejo-vos um Feliz Natal junto da vossa Família &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#009900;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;com Alegria, Amor e Paz!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;«Pensa, porque no pensamento está o amor;&lt;br /&gt;Ama, porque no amor está o sorriso;&lt;br /&gt;Sorri porque no sorriso está a Vida e&lt;br /&gt;Vive porque na Vida há quem goste muito de ti!»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113543001468001214?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113543001468001214/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113543001468001214' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113543001468001214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113543001468001214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/12/feliz-natal.html' title='Feliz Natal'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113484756604753087</id><published>2005-12-17T19:21:00.000Z</published><updated>2005-12-17T19:29:05.646Z</updated><title type='text'>O Gelo do Isolamento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/25.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/25.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;     &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Encontro-me dentro de um cubo de gelo. Mal posso tocar as suas paredes que queimam a minha pele. Do tecto, descem colunas brancas, como estalactites de grutas. São colunas de discriminação, que não param de crescer. Os seus picos quase tocam o espelho do chão escorregadio… Felizmente, são quebráveis. Eu estilhaço-as com a minha armadura de ferro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Este cubo de gelo é o meu refúgio de protecção, fui eu que o construí. É um pequeno espaço de segurança. Mas está a ser uma armadilha para a minha deterioração interior…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Todos os dias, passo algumas horas fechada neste cubo e tremo de solidão. Quando saio de lá e falo com alguém, a minha voz, entorpecida pelo congelamento, sai da minha boca a tropeçar… As palavras saem esburacadas, visivelmente feridas, queimadas pelo silêncio. Quando dou por isso, não me reconheço e fico bastante assustada… Nos meus tempos de estudante, não falava assim! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Basta! Não posso permitir que isto me aconteça… Quem vem salvar-me? Quem pode derreter estas paredes? Ninguém... Sou eu o fogo, eu é que tenho de o atiçar! Mas como? O sopro polar das paredes consome a minha combustão… Para me vencer, terei que expelir chamas como um dragão! Terei forças para isto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Paro e escuto. Sim, escuto o meu interior. Os meus ritmos cardíacos dizem que o coração está disposto a voltar arder, a ser ele o fogo de dragão, por muito que me faça doer. Contudo… Só o lançará, se eu deixar! Ele diz que é altura derrubar tamanha solidão, de voltar a semear e regar flores de motivação, pois são elas que exalam perfume de força, um odor adocicado que me leva para um rumo certo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O tempo é que o dirá…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113484756604753087?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113484756604753087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113484756604753087' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113484756604753087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113484756604753087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/12/o-gelo-do-isolamento.html' title='O Gelo do Isolamento'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113460464693587561</id><published>2005-12-14T23:46:00.000Z</published><updated>2005-12-14T23:57:26.966Z</updated><title type='text'>A Invasão das Melgas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/melgasII.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/200/melgasII.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Numa noite, já bastante longínqua, estávamos todos a jantar ao ar livre, sob um céu pintalgado de estrelas. O cheiro das árvores e da terra aderia aos nossos corpos, assim todos exalávamos a essência da Natureza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: center; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As nossas tendas pousavam no solo, ondulando-se ao sabor da brisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os meus colegas, sentados ao longo de uma mesa rectangular, estavam envoltos no manto negro da noite, parecendo monges encapuçados. Deles se visualizava, apenas, a saliência das testas e os olhos vidrados, iluminados pelo luar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pelo arranhar de vozes nos meus ouvidos, os colegas conversavam. E eu, como não conseguia ver os seus lábios, tão escuros estavam, passei simplesmente a conversar com a minha comida, mastigando e engolindo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um colega, já de barriga cheia e satisfeito, pôs-se a falar comigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Desculpa, mas não estou a perceber. Não vejo a boca! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Levantou a mão fazendo-me um sinal para eu esperar. Correu para um sítio e voltou com uma lanterna. Projectou, então, os focos luminosos aos seus lábios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Agora vês a minha boca?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Sim. O que querias dizer-me?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em poucos segundos, surgiu um furacão de melgas, atraídas pela luz projectada, expandindo desde a boca da lanterna aos lábios do colega. Ele, enquanto falava, teve de cuspir várias vezes para evitar engoli-las, até que… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-Aiiiiiiii………&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uivou, todo contorcido, de dor à imensidão dos montes imponentes, gritando aos saltos, gemendo aflito, até parecia que se estava a transformar num ser hediondo, como uma cena saída de um filme de terror! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma melga tinha aterrado acidentalmente no seu olho esquerdo! Numa tentativa de libertar-se das pestanas, fez algo que o magoou! O olho ficou vermelhíssimo, com veias raiadas de sangue, e inchado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como me senti? Enterrei-me no grito da vergonha e, também, da culpa! Após o sucedido, ninguém falou comigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nunca mais me esqueci deste episódio que se ferrou bem dentro de mim como um casco de um cavalo, tinha eu 19 anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113460464693587561?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113460464693587561/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113460464693587561' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113460464693587561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113460464693587561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/12/invaso-das-melgas.html' title='A Invasão das Melgas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113408664219098536</id><published>2005-12-08T23:54:00.000Z</published><updated>2005-12-09T00:04:02.230Z</updated><title type='text'>Os Saltos de Inspiração</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/I.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/I.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O martelar das palavras, dentro de mim amontoadas num cofre linguístico do cérebro, não cessa… Saltam como pipocas dentro de uma panela. À medida que os dias passam e quando o tempo é escasso, o martelar torna-se insistente e barulhento, fazendo ecoar todo o meu corpo. São palavras que querem sair. É o grito do meu dom para a escrita. Este dom, que não se sabe de onde vem, fervilha em borbulhas, faz-me cócegas nos dedos, provocando-me para a escrita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O meu mundo silencioso desespera por dançar, rir e chorar ao ritmo das teclas, vestir-se de palavras e, com elas, tornar-se visível.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113408664219098536?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113408664219098536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113408664219098536' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113408664219098536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113408664219098536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/12/os-saltos-de-inspirao.html' title='Os Saltos de Inspiração'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113252841604618510</id><published>2005-11-20T23:06:00.000Z</published><updated>2005-11-20T23:13:36.066Z</updated><title type='text'>A Fobia da Escuridão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/22.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/400/22.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Algures, num pontinho rural de Espanha, situado um pouco a norte, onde se cheirava o ar puro e se via pintado o mundo de verde acastanhado, resultante de uma mistura de árvores verdejantes e de montes, nós – eu e a minha família – ficámos ali instalados para uma noite de férias. A casa era de campo. &lt;/span&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A minha irmã e eu ficámos a partilhar o mesmo quarto. Era pequeno mas de uma simplicidade acolhedora. Do chão, erguiam duas camas floridas, lado a lado; duas cabeceiras em cubo de madeira castanha-escura, enfeitadas por dois candeeiros prateados. &lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A noite tinha chegado com as estrelas a acenarem uma doce canção. A minha irmã, antes de se deitar, correu para a janela e baixou totalmente os estores, com naturalidade. &lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tirei as minhas próteses e pousei-as na mesa-de-cabeceira. Elas também dormem.&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um pano negro de escuridão envolveu-nos. Fechei os olhos enchendo-me de coragem. O tempo passou em bicos de pés e, quando chegou a altas horas de madrugada, um grito aterrador explodiu na minha garganta, fazendo com que toda a casa vibrasse de eco. A minha irmã acordou apavorada e veio imediatamente a acudir-me… Encontrou-me banhada em suor e a tremer convulsivamente. Os sintomas do pânico.&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tinha tido um pesadelo. Quando abri os olhos para desligar este sonho mau, procurei um indício de luz e não a encontrei em lado nenhum. Apenas Silêncio e Escuridão. Tudo tão negro. Não havia sequer um vulto mínimo para me dar uma mão, para me trazer à Terra... Parecia que estava a cair num buraco sem fim, que flutuava como um balão perdido às avessas… Respondendo aos meus berros, aflitos e lacrimosos, em busca desesperada de Luz, de um suporte de vida, ela acendeu o candeeiro. Logo os meus olhos acalmaram… &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e voltei adormecer.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As horas decorreram a um ritmo de tic-tac silencioso até ao amanhecer. Os raios solares abraçaram o rosto da minha irmã, vindo a surpreendê-la e a atordoá-la… De onde vinha esta luz intrometida?! Abriu, pouco a pouco, as pálpebras inchadas de sono e, deparou-se comigo em pé, com os cotovelos apoiados sobre o parapeito da janela. Estava eu sonâmbula, a dormir acordada, observando um nascer-do-sol… Até sorria com as festinhas do sol sobre a minha pele.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113252841604618510?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113252841604618510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113252841604618510' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113252841604618510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113252841604618510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/11/fobia-da-escurido.html' title='A Fobia da Escuridão'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113218492373253879</id><published>2005-11-16T23:39:00.000Z</published><updated>2005-11-16T23:53:38.820Z</updated><title type='text'>Um Colar de Lágrimas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/21.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/21.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Recuando ao 11º ano de escolaridade, na área das fórmulas, das contas intermináveis e das reacções mágicas, voltando àquele dia em que ficou tatuado no meu coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quatro colegas conversavam, animadamente, sentadas nos bancos altos e estreitos, à volta de uma mesa rectangular de laboratório, onde no seu centro espreitavam enfileirados tubos de ensaios assombrosos, copos de precipitação brilhantes e gobelés gordos. Este convívio decorria na mais bela melodia.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Saí desta sala por um instante e, quando voltei, cheirei algo de negativo. Algo não me soava bem. As minhas antenas de sensibilidade estremeceram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma delas, M., saiu da sala a alta velocidade passando por mim, visivelmente agitada, e regressou com um grande dicionário. As colegas, que eram agora cinco, fizeram um círculo apertado e debruçaram-se sobre o dicionário à procura de algo... Todas se mostravam concentradas e sérias. Aquele quadro intrigou-me!&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De repente, a minha amiga V., companheira de todos minutos na Escola, explodiu de indignidade e mágoa contra uma delas. O bombardeio de palavras entre as duas fez com que se atacassem fisicamente e foram imediatamente separadas à força pelas mãos de outras colegas. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;V. agarrou-me e levou-me para fora da sala.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi, então, que me recapitulou o sucedido. &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma destas colegas atirou-me uma bola negra emitindo “Surda-Muda”. Uma bola ofensiva que causou um furacão de zangas. V. e M. opuseram-se dizendo que eu era apenas Surda e não Muda. O dicionário até o provou! Contudo, a adversária ignorou… Referiu bem alto, em plenos pulmões, que os jornais e os livros antigos escreviam, geralmente, “Surdos-Mudos”. E eu assim o era! A seguir, apontou-me lançando um raio, de que eu não devia pertencer a esta turma Ouvinte, mas à de Surdos-Mudos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;No final da sua explicação visivelmente tremida, mantive-me impassível. Esta crueldade já não era a primeira… O meu coração construiu, desde muito cedo, uma armadura rija para se proteger contra estas setas cruéis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Mas V. chorou. Como desejei agarrar aquelas gotas de lágrimas e transformá-las em pedras transparentes para depois fazer um colar, em sinónimo de amizade pura e de reconhecimento!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113218492373253879?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113218492373253879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113218492373253879' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113218492373253879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113218492373253879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/11/um-colar-de-lgrimas.html' title='Um Colar de Lágrimas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113128205638599756</id><published>2005-11-06T12:45:00.000Z</published><updated>2005-11-06T13:09:51.643Z</updated><title type='text'>Uma gulodice...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/geddes_I.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/geddes_I.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;/span&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acaricio as fotos descoloridas, ensopadas pela humidade acumulada ao longo de vinte e nove anos, e com elas tento ressuscitar as minhas memórias de berço.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os meus olhos de bebé eram grandes e límpidos de vivacidade. Observavam tudo: as formas, as cores, o que tinha movimento e o que era novo e até estranho. Para aqueles olhos, o que viam era um espectáculo de graça, de magia!&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O meu olhar seguia precocemente os contornos dos grandes lábios dos meus pais e da pequena boca da minha irmã. Durante estes momentos cruciais de observação, surgia no centro de cada íris negra um brilho de estrelas. Este brilho não parava de piscar. Era um piscar guloso que crescia à medida que vislumbrava os movimentos labiais como se fossem de chocolate. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;o:p style="FONT-FAMILY: trebuchet ms"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era todos os dias, nas horas de carinho, que estes lábios ondulavam a brincar, a sorrir e a amar para os meus olhos. Desenhavam pausadamente as primeiras palavras da Língua Portuguesa. Estes desenhos labiais eram as suas prendas de Vida que os meus olhos desembrulhavam e guardavam para o meu interior. Sobre a base do subconsciente, os sons labiais amontoavam-se e ali ficavam ao monte como brinquedos adormecidos à espera de serem reconhecidos e explorados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113128205638599756?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113128205638599756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113128205638599756' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113128205638599756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113128205638599756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/11/uma-gulodice.html' title='Uma gulodice...'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-113019802489765307</id><published>2005-10-25T00:49:00.000+01:00</published><updated>2005-11-04T22:45:56.563Z</updated><title type='text'>A Leitura Labial em Espectro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/f20_II1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/200/f20_II1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A leitura labial, em vulto transparente e assexual, interroga-se o que sabem dela. Estende-vos os seus fios de visão para vós os agarrarem e se introduzirem com ela para dentro de uma viagem virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus fios projectam imagens como cenas de um documentário, mostrando uma variedade de bocas e, todas elas são diferentes umas das outras, diferentes como são desenhadas as feições das pessoas. Os lábios, que pronunciam uma idêntica palavra, movem-se contraditórios e, por vezes, surpreendentes. Cerrados, abertos, tortos, complicados, agressivos, doces, molhados, secos… Os dentes são grandes ou pequenos, inclinados ou direitos. As línguas são mais ou menos rosadas e flexíveis. É em conjunto que se reproduz uma mensagem oral em carne viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aprendizagem da leitura não se completa de um dia para outro, mas sim com o divagar do tempo. É necessário estudar tudo o que constitui aquela boca e como esta se espreme e se transforma ao articular as sílabas. Ninguém lhe ensina, ela é que se aprende por si sozinha, com treino diário e persistência.&lt;br /&gt;A leitura labial só amadurece saudável numa estreita relação de comunicação onde reflecte luz de paciência e cores de afecto. Mesmo assim, apresentará sempre algumas mas pequenas dificuldades o que implica as repetições orais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pesadelos da leitura labial são as bocas de ventríloquo e as palavras sósias. O que são estas palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponham-se em frente do espelho e observem os vossos lábios reflectidos. Evitem as cordas vocais e mexam apenas os lábios: bata/pata /mata; chá/já. Viram a diferença? São palavras em que as ondulações labiais são gémeas. Há nelas veneno…&lt;br /&gt;Imaginem, uma frase que é um muro construído por pedras enormes. Se uma destas pedras tiver uma forma geometricamente errada (por exemplo, uma forma de pirâmide em vez de cubo), o muro desequilibra-se e desfaz-se em bocados. Deixa de ser um muro correcto. As palavras sósias transmitem uma mensagem errada, dão um sentido errado ao contexto. Isto é usual e frequente acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-113019802489765307?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/113019802489765307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=113019802489765307' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113019802489765307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/113019802489765307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/10/leitura-labial-em-espectro.html' title='A Leitura Labial em Espectro'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-112948991550964831</id><published>2005-10-16T20:08:00.000+01:00</published><updated>2005-10-16T20:11:55.520+01:00</updated><title type='text'>O Terror dos Dentes Colados</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/162.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/161.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O olhar vítreo da Professora, enquanto abria o livro de ponto, bailava por todas as direcções da sala. Até os cantos atingia. Os seus dedos papudos tocavam levemente cada linha horizontal pincelada de substantivos próprios. Andava à caça de alunos “baldas”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Logo a seguir, endireitava-se numa posição autoritária com os olhos negros que faiscavam “silêncio absoluto”! Passados segundos, pronunciava os nomes completos dos alunos. Os indicadores dos presentes furavam a atmosfera com uma descontracção notória, quando o seu nome era soado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Eu encontrava-me sentada na primeira fila, a meio metro de distância da professora, para ver nitidamente cada músculo rosado dos seus lábios e da sua língua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;À medida que ela fazia a chamada, eu estremecia toda como a gelatina. Aqueles lábios eram o meu terror! Não se mexiam. Via-se apenas uma massa uniforme e branca como se os dentes estivessem colados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Contudo, fazia um esforço tremendo para os ler, mesmo que este esforço fizesse com que os meus olhos ardessem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;De repente, ainda estava concentrada a fazer leitura labial, recebia um bombardeio de dedos apontados para mim! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;- Quem?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Todos olhavam na minha direcção afirmando que o meu nome inteiro tinha acabado de ser pronunciado, e eu não conseguira “ver” nem sequer a primeira sílaba…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A Professora tinha lábios de ventríloquo, impossíveis para leitura labial.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-112948991550964831?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/112948991550964831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=112948991550964831' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112948991550964831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112948991550964831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/10/o-terror-dos-dentes-colados.html' title='O Terror dos Dentes Colados'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-112881307910822747</id><published>2005-10-09T00:04:00.000+01:00</published><updated>2005-10-09T00:15:06.050+01:00</updated><title type='text'>Espiral de Incertezas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/152.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/151.JPG" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Desde o início do Outono até agora, tenho tropeçado em vários buracos de desolação, de nervos, de insegurança… Quase me afundei dentro dos lençóis do isolamento, quase esquecendo de mim própria…&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;      &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Ando perdida algures no meu oceano interior. O meu Eu movimenta-se em forma de binóculos à procura de um bom porto. Um porto iluminado de objectivos para a minha realização pessoal. Porque é que estou aqui? É isto que eu quero? O que tenho que fazer? Porque é que não consigo enfrentar o que está mal ou o que é injusto? Apenas me limito ao silêncio, ao acumular das frustrações… Porque é que o medo me paralisa e me impede de reagir quando as coisas não estão correctas? Onde está a força, aquela luz de outrora? &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;As minhas incertezas nadam em espiral, causando-me vertigens. Quando é que desapareçam? Quando chega a serenidade espiritual?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-112881307910822747?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/112881307910822747/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=112881307910822747' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112881307910822747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112881307910822747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/10/espiral-de-incertezas.html' title='Espiral de Incertezas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-112674044364744275</id><published>2005-09-15T00:12:00.000+01:00</published><updated>2005-09-15T00:30:54.860+01:00</updated><title type='text'>Os Sorrisos de Bege</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/142.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/142.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;«Atrás é a escuridão fora do pensamento. É o sítio onde o som se junta, o som que não é para ela ouvir.»   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;“Ensurdecer” de Francis Itani (pág. 73)&lt;/span&gt; &lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;     &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando as pessoas falam, as palavras invisíveis saem das suas bocas sob ondas sonoras, e entram para os meus aparelhos com graciosidade. Estes com a perícia das suas forças eléctricas e mecânicas, abraçam estas ondas e empurram-nas para o interior dos canais auditivos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Os sons das palavras, ainda inteiros e de mãos dadas, escorregam e aterram na base dos “caracóis” dos meus ouvidos. Até aí, os sons quebram-se em várias direcções como a queda de uma gota gigante que se desfaz em vários e minúsculos pingos soltos. As sílabas soltam-se da sua ordem, trocam-se e formam uma nova fila de sons tortuosos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ouço ruídos indecifráveis e entrecortados, apenas, burburinhos altos e baixos. Enquanto os agudos não entram, os graves explodem dentro de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se falarem comigo por detrás das minhas costas, não vou perceber. Ouço vozes mas não saberei de quem é a voz. Ouço vozes que saem ocas e raspadas como se fossem barulhos sem letras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os lindos aparelhos não me levam a identificar os ruídos mas, por outro lado, têm a sua utilidade. Embalam-me como uma música sussurrada; dão-me carícia de sons, uma pequeníssima porção do que é ouvir, uma minúscula chama ruidosa que me ilumina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os aparelhos são uma parte de mim, são sorrisos de bege que fazem os meus ouvidos sorrirem e ficarem quentes de protecção.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-112674044364744275?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/112674044364744275/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=112674044364744275' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112674044364744275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112674044364744275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/09/os-sorrisos-de-bege.html' title='Os Sorrisos de Bege'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-112222013135498380</id><published>2005-07-24T16:46:00.000+01:00</published><updated>2006-11-19T13:04:56.753Z</updated><title type='text'>O Primeiro Vestuário dos Ouvidos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/1600/london_385x261.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5880/1138/320/london_385x261.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:78%;" &gt;Foto de Londres &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;As máquinas audiometricas Inglesas, bastante desenvolvidas, invadiram os meus ouvidos e encontraram assim o meu mundo silencioso que se encontrava oculto. Uma vivalma de sons. As minhas células de audição, localizadas no “caracol” interior do ouvido, estavam destruídas ou queimadas pelo vírus que surgira durante o processo de gravidez. Qual vírus, não se sabe. Desconhece-se o microrganismo por não ter deixado o seu rasto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Os meus pais estavam sentados, agarrados um ao outro, o forte braço paterno sobre o ombro delgado materno, ambos fitando o médico otorrino, vestido de bata branca impecavelmente engomada, que observava com um ar sério os registos obtidos dos exames. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Por fim, dando um suspiro, o médico levantou os olhos do papel e olhou-os de frente. Falou em inglês:&lt;br /&gt;— A vossa filha é surda profunda, com uma perda auditiva muito elevada em ambos os ouvidos. — deixou uma pequena pausa para que os pais assimilassem a verdade.&lt;br /&gt;— Haverá alguma solução para que a nossa filha possa recuperar uma audição perdida? Será possível o milagre de uma cirurgia? Ou a ajuda de próteses auditivas? — interrogou o meu pai.&lt;br /&gt;— Recuperar uma audição completa na vossa filha é uma hipótese nula. Não há nada a fazer em relação à cirurgia porque a vossa filha apresenta muitas células auditivas mortas. Quanto às próteses, poderão ajudá-la mas apenas um pouco, captará somente ruídos indefinidos.&lt;br /&gt;— Quer dizer que a nossa bebezinha nunca será uma ouvinte como nós?&lt;br /&gt;— Exacto. É uma surdez que será permanente. Neste momento, não há esperanças de cura. Lamento muito… Mas, do ponto de vista da reabilitação, há muitas possibilidades de progresso se ela for bem acompanhada a partir de agora…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A limitação dos aparelhos não impediu os meus pais de os aceitar. Queriam, pelo menos, clarear a escuridão do meu profundo silêncio, por muito pequena fosse a luz sonora, quase como uma faísca. Para eles, era melhor que nada. Viam o silêncio como sem respiração, algo de que não conseguiam imaginar, que os sufocava. Eles próprios sabiam o quanto era maravilhoso escutar imensos sons e queriam conceder-me esta beleza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;E assim, os dedos longos e pálidos do médico inglês colocaram as primeiras próteses auditivas nos meus ouvidos. Eram aparelhos bastante notórios. Pareciam dois botões. Cada um deles saía um fio e ambos se uniam no meu pescoço formando num só fio, que iria parar a uma caixa metálica que servia de comando exterior. Colocaram uma pequena bolsa preta ao meu peito para proteger este comando.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:85%;" &gt;&lt;i  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;(&lt;em&gt;&lt;span style=""&gt;Vagueio num baú de memórias e não encontro aquela sensação nova dos primeiros sons que me preencheram, do primeiro formigueiro sonoro que me invadiu… Não me recordo. Eu era um bebé.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:85%;" &gt; &lt;i  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foi, na companhia destes novos objectos, que comecei a dar os primeiros passinhos!&lt;em&gt;&lt;span style=""&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-112222013135498380?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/112222013135498380/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=112222013135498380' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112222013135498380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112222013135498380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/07/o-primeiro-vesturio-dos-ouvidos.html' title='O Primeiro Vestuário dos Ouvidos'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-112163520314885975</id><published>2005-07-17T22:20:00.000+01:00</published><updated>2005-07-17T22:23:22.516+01:00</updated><title type='text'>O Segredo da Surdez Desvendado</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/15.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/15.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com um ano e 4 meses de idade, subi aos céus num interior de uma gigantesca aparelhagem voadora com asas brancas. Voei ferrada ao pescoço da minha mãe. O pai também ia ali sentado ao lado. Eram um casal jovem, com pouco mais de 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aterramos em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela cidade pertencente aos monárquicos, nessa cidade das ruas escuras e estreitas, fui submetida a exames audiométricos.  As máquinas detectoras da surdez eram tecnologicamente mais avançadas que as de Portugal. &lt;br /&gt;Então, exploraram os meus ouvidos, entraram para dentro deles e assim mediram o grau da minha Surdez. Tudo tremeu. O som era tão alto que atingiu um tecto transparente, que transbordava uma onda mortal para os ouvintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, os resultados ergueram-se. A cortina do segredo escondido abriu-se e surgiu a classificação:&lt;br /&gt;Surdez Bilateral Neurosensorial de Grau Profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;100% de silêncio em ambos ouvidos…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-112163520314885975?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/112163520314885975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=112163520314885975' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112163520314885975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112163520314885975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/07/o-segredo-da-surdez-desvendado.html' title='O Segredo da Surdez Desvendado'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-112101121396579463</id><published>2005-07-10T17:00:00.000+01:00</published><updated>2005-07-10T17:03:03.553+01:00</updated><title type='text'>Ensurdecer</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/ensurd22.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/ensurd22.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Durante duas semanas, com ou sem sol, com nuvens a acenar ou a transpirar, com um manto de calor a evaporar ou a descair, viajei por entre palavras e frases dentro de um livro.&lt;br /&gt;Avidamente, folhei cada página com uma incredulidade surpreendente, com uma respiração tantas vezes suspensa, com um esgar de horror e… cheguei ao fim desfeita em água!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos dois primeiros capítulos, fui encontrando algumas luzes idênticas entre mim e Grania. Estando nela, fui-me revendo a mim própria… As dificuldades de integração e de comunicação, os treinos da fala, a leitura labial, a ignorância e a maldade das pessoas, os medos… &lt;br /&gt;Esta personagem, tão doce e tão especial, ficou surda profunda aos 5 anos de idade devido a escarlatina. A sua avó Mamo, também muito especial e de grande coração, foi a sua salvadora. Foi a avó Mamo que lhe abriu as portas para a Vida. E Tress, irmã de Grania, também ajudou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do III capítulo, as palavras nadam em sangue e lama suja, saltam aos tiros dos canhões e das espingardas. O fundo de cada página chega a manchar-se de castanho e verde escuros, de cinzas e gotas vermelhas… São os horrores indescritíveis da Primeira Guerra Mundial.&lt;br /&gt;Nunca li nada assim, nunca estive sob a pele de um maqueiro que apenas recolhe soldados feridos para o posto médico. Este maqueiro é, nem mais nem menos, o grande amor de Grania, o seu marido “Chim”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é ficção, mas dissolve-se em factos verídicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a autora Francis Itani, vasculhei na pesquisa à procura de uma razão que a levou a escrever este livro. Quis saber, em especial, de onde vinha a enormidade da sua informação sobre o mundo de surdos.&lt;br /&gt;Saíram desta pesquisa, como os coelhos surgem do interior de uma cartola mágica, três letras. Estas letras grandes brilharam incessante sob a luz do meu coração: AVÓ! &lt;br /&gt;A avó de Francis Itani era surda! Foi através dela e da sua própria participação nos trabalhos voluntários na comunidade surda, que se inspirou para escrever este livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um livro profundo e tocante! Absorvente… Que não se esquece tão cedo, que é para ser relido com AMOR!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-112101121396579463?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/112101121396579463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=112101121396579463' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112101121396579463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/112101121396579463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/07/ensurdecer.html' title='Ensurdecer'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111998664674596260</id><published>2005-06-28T20:24:00.000+01:00</published><updated>2005-06-28T20:26:59.743+01:00</updated><title type='text'>A Queda do Dominó</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/142.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/400/14.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saltei de pediatra em pediatra, como se fosse uma bola de ping-pong, de um lado para outro. Fui submetida a todos os tipos de exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada exame era como uma peça de dominó, uma caía e passava para outra peça em pé, e assim por diante. Desenhava-se uma linha branca sem rumo, solta e perdida.&lt;br /&gt;As peças continuavam a cair e provocavam voltas e voltas… e voltas de ansiedade aos meus pais. Era interminável a aflição de ver vir a última peça chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, um dia, uma resposta gritou e fez com que a última peça tombasse com um estrondo! A ansiedade contida e acumulada ao longo desta linha branca explodiu e originou uma chuva gelada e paralisante no coração dos meus pais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham-me nas suas mãos mergulhada no silêncio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como isto era possível?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha árvore genealógica não existe um ramo surdo e logo eu tinha que ser uma excepção!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111998664674596260?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111998664674596260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111998664674596260' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111998664674596260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111998664674596260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/queda-do-domin.html' title='A Queda do Dominó'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111972273349514142</id><published>2005-06-25T19:05:00.000+01:00</published><updated>2005-06-25T19:12:45.040+01:00</updated><title type='text'>Berço Silencioso</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/102.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/400/10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nasci numa manhã cinzenta e fria, ainda o aroma natalício pairava no ar, com uma força incalculável e apressada.&lt;br /&gt;Os meus pulmões, em tamanho minúsculo, acordaram com o cheiro da Vida e sugaram as primeiras moléculas da atmosfera. As minhas cordas vocais, estimuladas por bolhas vibrantes, abanaram e libertaram uma música gritante de choro. Contudo, foi um choro mascarado que ocultou a surdez…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui um berço de felicidade para os meus pais e uma nova luz para a minha irmã, com 4 anos de frescura. Os dois pares de olhos castanhos e o par de olhos verdes postos em mim, com palpitações de carinho, contemplavam um bebé saudável com pequenos músculos cheios de vitalidade e um olhar curioso e sedento da Vida. Até ali tudo parecia em paz…&lt;br /&gt;Esta felicidade colorida e musical durou apenas 4 meses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspirador em melodia berrante, um secador do cabelo num vendaval de ruídos, uma queda acidental de móveis, a dança inconstante das vozes, o bater de palmas frenético. Quando um comboio destes sons percorria o ar e chegava ao berço onde dormia não me assustava, nem sequer reagia. Eu dormia embalada pelo sono sereno, nas nuvens de bebé.&lt;br /&gt;Foi então que a hesitação familiar desabrochou e deu lugar a várias interrogações e a vários receios…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que eu tinha?! Preguiçosa? Dorminhoca? Adoentada?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111972273349514142?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111972273349514142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111972273349514142' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111972273349514142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111972273349514142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/bero-silencioso.html' title='Berço Silencioso'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111912605349955503</id><published>2005-06-18T21:20:00.000+01:00</published><updated>2005-06-18T21:30:26.466+01:00</updated><title type='text'>Uma Viagem de Vertigens</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/12_II.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fiquei num Camarate do 1º piso. Sentei-me numa cadeira, despida e áspera, sem suportes para os braços, que estava colocada na 1ª fila. Era a minha primeira vez no Coliseu, era uma nova sensação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Coliseu exalava um perfume fantasmagórico… Sugou-me para os tempos antigos e visualizei aquelas mulheres com vestidos de baile, luvas de rede e leques de penas, e aqueles homens com os seus fatos elegantes, bengalas finas e chapéus altos colocados no seu colo. Entre olhares dos homens e das mulheres, passava, à luz de estrelas, uma corrente de códigos silenciosos.&lt;br /&gt;Quando despertei desta hipnose breve e inesperada, os espectadores antigos foram imediatamente varridos pelos espectadores da era moderna, vestidos de calças de ganga, camisas às riscas ou lisas, t-shirt de várias cores, saias curtas ou compridas, blusas largas ou justas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes sucumbiram e a cortina de veludo vermelho subiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “gatos” surgem, lentamente, vindos da escuridão salpicada de estrelas. No mesmo instante, as minhas expectativas quebraram e caíram em água fervente. Evaporadas formaram uma nuvem de desolação total. Os contornos destes “gatos” eram do tamanho de formigas, uns pontos minúsculos. Não se viam as suas expressões “felinas”, os seus bigodes, os olhos, as garras, e até mesmo as caudas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um ecrã rectangular, por cima do palco, para traduzir as canções do miar e do ronronar destes “gatos”. Não me serviu de nada…&lt;br /&gt;Explodia dali um barulho infernal que fazia exaltar a minha visão. As letras luminosas das palavras, que por ali passeavam, saltitavam em montanhas irrequietas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para aqueles vultos indistinguíveis os meus olhos, fatigados pela neutralidade de movimentos, fecharam-se e entraram no sono... Lá dentro, os ruídos ainda soavam alto, sob marteladas uniformes e contínuas, sem ritmos pausados. O meu corpo ainda vibrava ao impacto destas ondas musicais. O sono estava longe de ser embalado…&lt;br /&gt;Até que, de forma inesperada e imprevista, os ruídos foram bruscamente travados. O chão e a cadeira fugiram sob os meus pés e quase caí estendida ao acaso, sem apoio para me segurar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes acenderam com um clic imaginário e as pessoas entusiasmadas levantaram-se das suas cadeiras. Observei as suas caras e verifiquei que estavam a ponto de se desfazerem em lágrimas, visivelmente maravilhadas, arrepiadas de comoção! Bateram palmas, repletas de electricidade, de encanto, de emoção. Adoraram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos eu…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este espectáculo, para mim, foi uma viagem ao rodopio de ruídos, mais propriamente, uma viagem de vertigens! Não vi as danças mágicas das suas expressões, o ronronar dos seus movimentos, as cores da maquilhagem felina… não “ouvi” as suas músicas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111912605349955503?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111912605349955503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111912605349955503' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111912605349955503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111912605349955503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/uma-viagem-de-vertigens.html' title='Uma Viagem de Vertigens'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111877755274680739</id><published>2005-06-14T20:32:00.000+01:00</published><updated>2005-06-14T20:36:55.960+01:00</updated><title type='text'>A Música dos Movimentos</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/141.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não sei o que é sentir a música de olhos fechados. Não vejo por que existe algo de mágico nesses sons, originados pelos cantos e pelos instrumentos musicais como o piano ou a guitarra. O que de mágico tem a música para as pessoas chorarem e se encantarem? Os sons, tanto os graves como os agudos, somente os sons, não me acarinham nem estimulam as minhas emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vejo outra música que também é linda de se sentir, que me faz vibrar e que me enche de cócegas! Essa música está aqui, ali e além, por todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dança do corpo, o ávido pestanejar dos olhos, o rasgar dos sorrisos, a queda da chuva, as carícias das ondas, o aceno das folhas verdejantes, as pétalas coloridas a abrirem-se, a corrente brilhante dos rios, a liberdade das aves em voo, os reflexos espelhados na água, as sombras projectadas ao acaso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tem música! Cada movimento mínimo liberta uma dose de música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada cor tem a sua nota musical! O azul é a música do céu e do mar. O amarelo é a música dos raios de sol. O castanho é a música do café. O verde é a música dos olhos da minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111877755274680739?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111877755274680739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111877755274680739' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111877755274680739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111877755274680739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/msica-dos-movimentos.html' title='A Música dos Movimentos'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111833299537651212</id><published>2005-06-09T16:59:00.000+01:00</published><updated>2005-06-10T00:17:03.456+01:00</updated><title type='text'>Uma Viagem ao Passado</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/200/12.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;«Os meus 14 anos estão à espreita, ainda frágeis e frescos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro-me, em frente de um espelho, a articular sete algarismos: três, dois, cinco, cinco, seis, oito e zero.&lt;br /&gt;Uma vez que não distingo a minha própria voz, recorro à técnica utilizada nas sessões da Terapia de Fala. Leio os meus lábios reflectidos no espelho, verificando, deste modo, se liberta alguma falha na minha articulação, se a minha língua ondula correctamente, se os meus lábios abrem num O cheio ou num S fechado…&lt;br /&gt;Repito estes números mágicos, assim robótica, com uma persistência acalorada.&lt;br /&gt;- Mãe, ouve-me! Diz-me se estou a dizer bem. Três, dois, cinco, cinco, seis, oito e zero!&lt;br /&gt;- Muito bem!&lt;br /&gt;- Vou, então, ao Clube de Vídeo! Sou capaz disto!&lt;br /&gt;Encho-me de coragem, respirando golfadas de ar como que para me alimentar das forças invisíveis dos Deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto me aproximo do Clube de Vídeo, o pânico, o meu maior inimigo, começa a apoderar-se de mim envolvendo-me dos pés à cabeça… O meu coração martela com uma força de tempestade, o suor escorre frio e um manto nebuloso desce ofuscando os meus olhos…&lt;br /&gt;Mas, as Suas mãos poderosas, misteriosas e transparentes, empurram-me para frente. Uma voz quente e protectora sussurra no meu interior - um sussurro baixinho mas firme - que tenho que enfrentar estes temores… “Fugir não é a melhor solução!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me, então, do balcão e está lá uma nova empregada que me pergunta, monotonamente, pelo número de sócio. Aclaro a minha voz tossindo, relembrando-me do treino, e respondo com visível esforço:&lt;br /&gt;- Três, dois, cinco, cinco, seis, oito e zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante a exposição da minha voz, a empregada petrifica-se! O seu queixo queda num terror gelado, os músculos faciais contraem-se tensos, o olhar torna-se vítreo… A aura negativa dela atravessa-me através dos poros da minha pele e fico assustada! Ela não percebeu nem um número pronunciado, ficou apavorada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choque deste susto aperta a minha garganta libertando labaredas de vinagre e, em poucos segundos, começo a ver tudo embaciado pelas lágrimas que teimavam em vir à superfície dos meus olhos. Esta dor provoca-me um desejo de me esfumar dali, de ser transparente para que ninguém me veja, para que ninguém me ouça… “É tão difícil ser Surda!” »&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fui instintivamente forçada, desde muito cedo, a ter uma consciência profunda de que a minha voz não era bonita e agradável de se ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, a minha voz mantém-se, inalterável e nasalada, uma voz de Surda. Ainda, hoje, os desconhecidos olham-me assustados ou confusos. Mas já não sinto tanto pavor como sentia outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, durante a fase da adolescência, apercebi-me de que só a minha família e os amigos mais próximos é que me compreendiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma questão de tempo, pode até demorar anos, para que as pessoas se habituem à minha voz. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111833299537651212?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111833299537651212/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111833299537651212' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111833299537651212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111833299537651212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/uma-viagem-ao-passado.html' title='Uma Viagem ao Passado'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111809600964764957</id><published>2005-06-06T23:13:00.000+01:00</published><updated>2005-06-06T23:18:47.600+01:00</updated><title type='text'>Letras&amp;Letrias</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/11_II.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No último sábado, ao fim da tarde, fomos à Feira do Livro.&lt;br /&gt;O Sol já fraco, ainda a jorrar calor, uma massa de gente preenchia os canais entre os pavilhões, os livros ali estavam, perigosamente à nossa mão, em filas convidativas para os comprarmos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trouxe um livro maravilhoso para o José Jorge Letria autografar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava ele sentado numa mesinha redonda com a serenidade de escritor e com ar de quem adora gatos. Infelizmente, não estavam os felinos em seu redor, aninhados aos seus pés. Dar-lhe-iam um ar ainda mais digno do amor destes animais...&lt;br /&gt;As suas mãos fortes seguraram “Letras&amp;Letrias” e a caneta voou a miar, mesmo a miar como os gatos, e desenhou aquelas letras na primeira página que me fizeram sorrir.&lt;br /&gt;O meu Muito Obrigada! Este é o momento para voltar a ser lembrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das frases, deste livro, conquistou o meu coração:&lt;br /&gt;“O Silêncio é uma música que emudeceu de espanto”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111809600964764957?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111809600964764957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111809600964764957' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111809600964764957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111809600964764957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/letrasletrias.html' title='Letras&amp;Letrias'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111792383388845129</id><published>2005-06-04T23:20:00.000+01:00</published><updated>2005-06-05T20:40:24.456+01:00</updated><title type='text'>Troca de Palavras Silenciosas</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/101.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na hora em que rebentava uma ondulação espumosa vinda do mar infantil espalhado por todos os cantos da Escola, encontrava-me a caminhar em direcção à sala de professores e, pelo caminho, cruzei-me com uma colega. Trocámos umas palavras num silêncio habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inevitavelmente, como seria de esperar, caímos sob um alvo de olhares dóceis das crianças surdas. Elas sentem-se protegidas com a presença dos seus “iguais” adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma destas crianças, uma menina de nove anos, com cabelos doirados, pequenos olhos de um azul límpido mas salgado de traquinice e mimos, não resistiu a sua curiosidade inocente… “Infiltrou-se” na conversa com um sorriso embaraçado, meio interrogativo, e gesticulou as mãozinhas dando vida à sua sede de saber, expondo um enorme ponto de interrogação sobre a nossa comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e a minha colega estávamos a conversar, com as mãos dormentes e imóveis, mexendo e articulando apenas os nossos lábios. Duas pessoas adultas, ambas surdas profundas, a comunicar desta forma, era para ela uma descoberta invulgar, mágica e até mesmo inimaginável!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111792383388845129?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111792383388845129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111792383388845129' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111792383388845129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111792383388845129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/06/troca-de-palavras-silenciosas.html' title='Troca de Palavras Silenciosas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111749451006427762</id><published>2005-05-31T00:08:00.000+01:00</published><updated>2005-05-31T00:15:17.826+01:00</updated><title type='text'>Tempos Perdidos</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/200/8.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sentada sobre um tapete de tempo, em pleno voo, viajo ao passado e revejo-me num vulto adolescente… repiso aquelas salas de aulas e revejo os ponteiros do relógio…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrava-me integrada numa turma de ouvintes, sendo a única Surda Profunda como uma poeira insolúvel num líquido ouvinte.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas, que eu por ali passei, enfiada nas quatro paredes nuas da Sala, sentada nas frias cadeiras com os cotovelos pousados sobre as pálidas mesas, eram horas paradas e monótonas. Horas perdidas e sem histórias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os professores, de todas as disciplinas, falavam com enorme velocidade, e assim todas as suas palavras escapavam aos meus olhos. Só eu via as suas bocas deslocadas, os estalos da língua, os dentes quer brancos quer pretos, os contornos dos lábios pintados ou naturais. Aqueles lábios em murmúrios indecifráveis e engolidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu sumário diário, naquelas aulas, era somente: Viagem nos ponteiros do relógio. Entrada no espaço perdido e oco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, apenas, registava o que os professores escreviam no quadro mas, o que eles escreviam, era escasso. Havia imensos buracos de informação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ponteiros foram meus professores e colegas, eles assinalavam cada segundo, cada minuto e cada hora, diziam quanto faltavam para acabar a aula, insistiam para que eu me aguentasse e que não podia desistir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminava o dia escolar, o meu alívio explodia em lágrimas! Um dia já está, outro dia também… Era um sentimento de triunfo! Mas não tinha tempo para mim...&lt;br /&gt;Cada vez que o fio de escola acabava, começava outro fio que continuava nas explicações extras e nos estudos intensivos...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111749451006427762?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111749451006427762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111749451006427762' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111749451006427762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111749451006427762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/tempos-perdidos.html' title='Tempos Perdidos'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111735535263134522</id><published>2005-05-29T09:29:00.000+01:00</published><updated>2005-05-29T10:54:26.023+01:00</updated><title type='text'>Ponte</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/9.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estou no meio da ponte. As duas margens são dois mundos. Um de surdos e outro de ouvintes. Não pertenço nem a um nem a outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo que, um dia, esta ponte se quebre e o rio se evapore para que os dois mundos se possam unir num abraço fundido. Sem ódios nem rancores. Paz, Luz e Amor numa possível comunicação eterna para todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111735535263134522?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111735535263134522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111735535263134522' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111735535263134522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111735535263134522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/ponte.html' title='Ponte'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111727999429118156</id><published>2005-05-28T12:33:00.000+01:00</published><updated>2005-05-28T12:39:19.326+01:00</updated><title type='text'>Barco de Sabedoria</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/320/7.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Antes de entrar nas entranhas da profissão subjugada ao mundo de Surdos, o meu barco de Sabedoria radiava cores vivas, transportava consigo a riqueza da Língua Portuguesa, belos tesouros de aprendizagem e uma voz bem treinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navegou no mar alto do trabalho e, inevitavelmente à força, passou sob um temporal das mãos. Os gestos da Língua Gestual inundaram o barco, varreram as jóias da minha Língua Mãe. Desviaram-na por outros caminhos, sacudiram-na…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, o meu barco está semi-imerso, abandonado, confuso e ferido. Em desespero, pede socorro aos baldes dos Ouvintes para que o salvem do afogamento da inundação, para que os seus pincéis o pintem de letras e de palavras e assim o restaurem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu barco grita que é tempo de emergir! Anseia por voltar a ser o barco que fora outrora, um barco Oralista.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111727999429118156?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111727999429118156/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111727999429118156' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111727999429118156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111727999429118156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/barco-de-sabedoria.html' title='Barco de Sabedoria'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111715090700827185</id><published>2005-05-27T00:41:00.000+01:00</published><updated>2005-05-27T09:09:45.403+01:00</updated><title type='text'>A Voz Silenciosa</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/220/5996/200/6.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Língua Gestual é uma língua bonita e enérgica.&lt;br /&gt;É até um desporto para as mãos! Elas contorcem-se com magia, voam e dançam capazes de se transformar nas mais belas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Língua Gestual é uma voz silenciosa e extremamente visual. Cada gesto corresponde a um significado despido de palavras. As mãos, a face e o corpo desenham acções e pincelam emoções carnais sob o olhar do silêncio mais profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas…&lt;br /&gt;Cada palavra da Língua Portuguesa é amachucada, engolida por cada gesto, tornando-se praticamente invisível.&lt;br /&gt;Por exemplo, a palavra “amigo”. A Língua Gestual não mostra as valiosas sílabas “a–mi–go”, não se pronuncia em voz alta “amigo”, vê-se apenas os braços a cruzar no peito…&lt;br /&gt;Até os verbos gestuais são espremidos e arredondados em esponjas de diferentes cores. “Vou”, “fui” e “irei”. Estes três tempos verbais têm o mesmo gesto, que é um indicador apontado e em movimento. A diferença está na expressão facial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, imploro para que falem comigo em Língua Portuguesa. Preciso de ver palavras, todos os verbos e as estruturas frásicas. Preciso de “ouvir” diariamente a Língua Portuguesa! Necessito de conversas difíceis e inteligentes, salpicadas de vocabulário rico. Melhor, necessito conversas de adulto ouvinte! Quero conversas longas e não curtas.&lt;br /&gt;Senão, o meu Português e a minha Cultura esfumam-se…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111715090700827185?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111715090700827185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111715090700827185' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111715090700827185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111715090700827185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/voz-silenciosa.html' title='A Voz Silenciosa'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111705970922839490</id><published>2005-05-26T12:00:00.000+01:00</published><updated>2005-05-25T23:57:27.053+01:00</updated><title type='text'>A Visão das Crianças Surdas</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/107/5921/320/5.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Observa bem os olhos das crianças surdas!&lt;br /&gt;Com a visão, elas escutam. Com os olhos, elas ouvem.&lt;br /&gt;Ouvem as cores, os movimentos, as danças, os sentimentos.&lt;br /&gt;Lêem os lábios ou descodificam as mãos a gesticular.&lt;br /&gt;A audição está nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes olhos precisam de ver palavras, objectos com nomes, desenhos com frases, todos os dias! Com repetição! Com Amor! Com paciência!&lt;br /&gt;A Língua Portuguesa não deve escapar aos seus olhos desde o nascimento.&lt;br /&gt;É esta língua que vai abrir muitas portas da sabedoria…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111705970922839490?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111705970922839490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111705970922839490' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111705970922839490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111705970922839490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/viso-das-crianas-surdas.html' title='A Visão das Crianças Surdas'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111697580564344167</id><published>2005-05-25T12:05:00.000+01:00</published><updated>2005-05-25T17:07:01.863+01:00</updated><title type='text'>Festa Natalícia</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/107/5921/200/4.jpg" /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Num dia de festa natalícia, os pais foram ver os seus filhos surdos fazerem uma peça de teatro sobre o tempo e a chegada do Pai Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outono e Inverno. Mudanças de tempo. Folhas a cair, vento a uivar, voo de esferovites imitando a neve, construção de um boneco de neve, surgimento de um trenó com um Pai Natal puxado por dois veados fictícios.&lt;br /&gt;Tudo foi interpretado em silêncio e em risinhos da alegria infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi as cores de felicidade no olhar daquelas crianças surdas. Os seus olhinhos vagueavam à volta, à procura dos seus progenitores. Vivos e inocentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, observei alguns pais… Estes pais fizeram-me gelar. Li o olhar deles… Reflectia frieza e dor. Senti à flor da pele as suas esperanças mortas, o seu ódio ao destino, a sua imensidão de vergonha. Os pais, inseguros e culpados, mal tocavam nos seus filhos. Eram olhados como deficientes e imperfeitos.&lt;br /&gt;Os mesmos pais ouviram a minha voz e estremeceram-se, não reconheceram de que eu conseguia falar, ficaram antes horrorizados com a minha fala defeituosa e… recuaram simplesmente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como desejei dar-lhes umas bofetadas de palavras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111697580564344167?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111697580564344167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111697580564344167' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111697580564344167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111697580564344167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/festa-natalcia.html' title='Festa Natalícia'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111688945978752841</id><published>2005-05-24T00:04:00.000+01:00</published><updated>2005-05-24T00:15:12.790+01:00</updated><title type='text'>Amor Familiar</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/107/5921/320/2.jpg"&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cheguei ao mundo com interceptores da audição fechados para a eternidade mas, nasci sem maldade nem dor, apenas com sede de viver e de aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha família abriu-me as portas à Sabedoria, às belas coisas da Vida e do Amor, às pequenas verdades em meu redor e fez-me “ouvir” tudo, inclusive, a Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientou-me e concedeu-me independência, autonomia e liberdade, as quais a maioria de surdos não possui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os meus pais não me tivessem dado a sua mão para eu a segurar, não estaria aqui…&lt;br /&gt;Nunca me abandonaram. Sempre acreditaram nas minhas capacidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha querida e amada família!&lt;br /&gt;Um obrigado cheio de flores e de sorrisos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;h1&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111688945978752841?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111688945978752841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111688945978752841' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111688945978752841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111688945978752841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/amor-familiar.html' title='Amor Familiar'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13099569.post-111680524287046197</id><published>2005-05-23T00:39:00.000+01:00</published><updated>2005-05-23T01:25:46.683+01:00</updated><title type='text'>A Nudez</title><content type='html'>&lt;h1 align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/107/5921/320/1.jpg"&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quero despir-me, pôr-me nua.&lt;br /&gt;Gritar a minha surdez e expô-la aos olhos ignorantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri uma floresta de injustiças onde os seus espinhos arranharam o meu coração,&lt;br /&gt;nadei e quase me afoguei num mar negro e turbulento da ignorância social,&lt;br /&gt;fui atacada pelas foices da arrogância impura e da superioridade,&lt;br /&gt;escorreguei pelas cataratas da “perfeição” caindo num beco sem saída!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murcharam-me, feriram-me, empurraram-me…&lt;br /&gt;Mas nada deste mundo me faz vencida!&lt;br /&gt;NADA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, agora, aqui estou eu a gritar para me ESCUTAREM!&lt;br /&gt;Não sou deficiente nem anormal!&lt;br /&gt;Tenho os meus sentimentos, as minhas belezas, os meus sons, as minhas músicas.&lt;br /&gt;O meu mundo do silêncio!&lt;br /&gt;Este silêncio é belo. Profundamente consciente e grandioso&lt;/span&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13099569-111680524287046197?l=caixadesilencios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/feeds/111680524287046197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13099569&amp;postID=111680524287046197' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111680524287046197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13099569/posts/default/111680524287046197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caixadesilencios.blogspot.com/2005/05/nudez.html' title='A Nudez'/><author><name>SilenceBox</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00894720865732965671</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
